Curitiba - Os deputados que compõem a CPI do Banestado na Assembléia Legislativa decidiram ontem que vão reavaliar os imóveis que foram incluídos no processo de privatização do ex-banco estatal paranaense. O presidente da CPI, Neivo Baraldin (PDT), acredita que muitos imóveis foram subavaliados. No total, cerca de 1,5 mil imóveis foram avaliados em R$ 222 milhões. Este montante representa aproximadamente a metade do preço mínimo fixado para a venda: R$ 402 milhões. O Banestado foi comprado em outubro de 2000 pelo banco paulista Itaú, por R$ 1,625 bilhão.
De acordo com Beraldin, alguns imóveis teriam sido avaliados pela metade do preço de mercado, outros até 80% mais baratos. ''Vamos começar uma nova avaliação dos principais imóveis. Contrataremos empresas da área especificamente para essa tarefa'', prometeu Beraldin. O deputado cogita a possibilidade de pedir ressarcimento, caso comprovada a subavaliação. Se os imóveis terrenos, obras e benfeitorias foram realmente subavaliados, houve prejuízo para o Estado, completou o relator da CPI, Mario Sérgio Bradock (PMDB). ''O banco então foi praticamente vendido pelo preço dos imóveis?'', questionou o peemedebista.
Na sessão de ontem foram ouvidos representantes do consórcio Fator, que fez a avaliação e modelagem do banco para a venda. Nelson Roberto Niero da área de avaliação dos ativos patrimoniais defendeu em seu depoimento a qualidade da análise feita pela equipe de engenheiros. Niero admitiu, porém, que nem todos os imóveis foram visitados in loco. Cerca de 60% dos edifícios teriam sido visitados pelos engenheiros. O restante foi avaliado com base nas suas características, de acordo com os valores de mercado na época.
Neivo Beraldin anunciou ontem que pretende entrar na Justiça para conseguir informações do Itaú sobre a compra do Banestado. O presidente da comissão disse que tem solicitado uma série de dados ao banco paulista, que não estaria repassando as informações. Ontem a CPI aprovou a quebra de sigilo bancário e fiscal das operações de crédito do Banestado, com o objetivo de saber exatamente quais seriam esses créditos.
De acordo com os depoimentos dos representantes do Fator, a Secretaria de Estado da Fazenda tem muitas informações sobre o processo de venda, em CD-ROM: cerca de 350 mil documentos. Esse material contém diversos dados sobre ativos, passivos, créditos, recursos humanos, entre outros.

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