Brasília - Atordoada ainda com a derrota na eleição para a presidência da Câmara, a bancada do PT procura identificar os erros e definir um caminho de atuação depois que ficou sem cargos na Mesa Diretora e sem o apoio dos partidos da base governista. Na reunião da bancada, que iniciou ontem e prossegue hoje, os deputados defenderam mudanças na relação do governo com o PT e com o Congresso e criticaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que declarou, após o resultado da eleição, que a derrota foi do PT e não do governo.
Em tom de cobrança, deputados ressaltaram que o presidente foi parte do processo e que não pode querer agora se distanciar da questão. Além disso, petistas argumentaram na reunião que o governo e o PT são ligados e que, portanto, quando um perde, o outro também é atingido. Além disso, lembraram os petistas, o presidente precisará do PT para se eleger em 2006. Ontem, o chefe da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais da Presidência da República, Aldo Rebelo, respondeu a petistas que o culparam pela derrota do candidato do PT, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), por causa da desarticulação da base na Casa.
''É importante manter a cabeça fria e a humildade. Não podemos, no momento, buscar os responsáveis (pela derrota), até porque os responsáveis são os 300 deputados que deram a vitória a Severino Cavalcanti (PP-PE)'', afirmou Rebelo. Ontem, os deputados petistas evitaram culpar uns aos outros pela derrota.
Na reunião da bancada, cresceu, no entanto, a pressão para que Lula mude a maneira de se relacionar politicamente com os partidos aliados e com o Congresso e trate a bancada de forma diferente. ''Temos de rever tudo. Vamos exigir mudança na conduta do governo na relação com o Congresso'', afirmou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Pimenta disse que a bancada deve ser ouvida e participar das decisões do governo.
O deputado Paulo Bernardo (PT-PR) argumentou que os ministros precisam mudar a forma de tratar os parlamentares. ''Os ministros devem reconhecer a importância do Poder Legislativo e, de vez em quando, tirar a bunda da cadeira e vir aqui conversar com os deputados, receber, atender um telefonema. Isso é uma coisa importante para o trâmite das medidas do governo no Congresso'', disse Bernardo. De acordo com participantes da reunião, os deputados, no entanto, não pediram a saída de Rebelo Aldo nem de nenhum ministro.

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