Deputados querem menos sessões durante campanha
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sábado, 08 de junho de 2002
Leandro Donatti<br>Equipe da Folha 
Curitiba Quarenta e dois dos 54 deputados do Paraná são favoráveis a adoção de um esquema especial de sessões durante os quatro meses que antecedem as eleições de 6 de outubro. É o que revela pesquisa informal feita pela Folha em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), durante o mês de maio. Foram ouvidos todos os deputados estaduais, com a garantia de que teriam os seus votos mantidos em segredo.
Candidatos à reeleição, os deputados querem tempo para pedir voto dos eleitores. A pressão para reduzir o número de sessões é grande. O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), entretanto, só garantiu até o momento a antecipação das sessões que são realizadas às quinta-feira pela manhã sempre que for necessário. Na prática, a maioria dos deputados já enforca as sessões de quinta para ficar em suas bases eleitorais, geralmente no interior do Estado.
Para tornar legal a antecipação de sessão e acabar com o mal-estar que o plenário vazio tem causado em quase todas as quintas-feiras, a mesa executiva buscou brechas no Regimento Interno da Casa. Uma delas permite a quebra do interstício, o espaço geralmente de 24 horas entre uma sessão e outra. Uma vez quebrado o interstício, os deputados podem fazer duas sessões ordinárias num mesmo dia. Nos últimos 20 dias já foram antecipadas para a quarta-feira pelo menos duas sessões de quinta.
A adoção de esquema especial de sessões é uma tradição na Assembléia. A flexibilização da pauta para atender interesses políticos era uma prática costumeira do então presidente da Casa, Aníbal Khury, morto há quase três anos. As próprias sessões de quinta-feira pela manhã, que antes eram realizadas à tarde, são frutos do desejo dos parlamentares que fazem o que podem para permanecer no poder.
O deputado Caíto Quintana (PMDB) defende declaradamente mudanças. Concordo com alterações (durante o período eleitoral). Acho que devemos reservar as segundas, terças e quartas-feiras para as matérias mais polêmicas e as quintas-feiras para as matérias consensuais.
Augustinho Zucchi (PDT) acha que um cronograma especial acabaria com a hipocrisia das sessões de quinta. O deputado reclama da falta de quórum verificada nos últimos meses. Já Sérgio Spada chama os meses que antecedem as eleições de recesso branco. Na prática, quando a campanha iniciar, o presidente da Casa convocará as bancadas apenas quando houver matérias importantes a serem votadas, aposta.
De segunda a quarta-feira, as sessões começam às 14h30. Na quinta-feira, o início das discussões está programado para as 10 horas. São necessários 28 deputados para as votações e apenas 18 um terço dos 54 para a abertura da sessão.(Com Maria Duarte)


