Deputados querem investigar pagamento de dívida de Lula
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quarta-feira, 10 de agosto de 2005
Folhapress 
Brasília - A versão apresentada pelo PT sobre o pagamento da dívida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o partido assumida pelo presidente do Sebrae, Paulo Okamotto não convenceu parlamentares da CPI dos Correios. Os deputados querem investigar se a história foi montada com o objetivo de ocultar possível ligação entre os pagamentos e o esquema de caixa dois no partido criado com apoio do publicitário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza.
A CPI deverá analisar hoje, em reunião administrativa, três requerimentos apresentados pelos deputados Ônyx Lorenzoni (PFL-RS) e ACM Neto (PFL-BA), que pedem a tomada de depoimento e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Okamotto. Os parlamentares também querem que o ex-tesoureiro da campanha de Lula de 89 explique a origem dos recursos e apresente os comprovantes de que entregou o dinheiro ao PT.
''Okamotto não convence. Vamos ter de averiguar todas as possibilidades, inclusive a de que a origem do pagamento tenha sido movimentações feitas pelo senhor Marcos Valério com dirigentes do partido'', disse ACM Neto. ''Levaram quase um mês para encontrar alguém (Okamotto) que assumisse a responsabilidade. Temos informações de que a versão foi combinada de última hora'', afirmou Lorenzoni, fazendo referência à viagem de Lula ao Nordeste na semana passada. Okamotto, como convidado oficial, acompanhou Lula na viagem.
''Chama a atenção a dificuldade do governo de explicar algo aparentemente tão simples. Imagine as coisas mais escabrosas'', cobrou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). O senador Aloizio Mercadante (PT-SP), líder do governo no Senado, foi à tribuna para acusar a oposição de tentar transformar Lula em alvo de ataques. ''É justo que a gente discuta as coisas dessa forma? Não acho justo'', afirmou o senador. ''Vamos manter a estatura política do debate.''
Fora da tribuna, Mercadante voltou a negar que Lula tenha mantido dívida com o PT. Segundo ele, tudo não passou de um ''erro contábil'' do ex-tesoureiro nacional do partido, Delúbio Soares. ''Não há empréstimo, não há dívida. Ele (Okamotto) tentou resolver, quem fez trapalhada foi o Delúbio'', disse o senador.
Em depoimento à CPI dos Correios, Delúbio Soares confirmou a prática de empréstimos a dirigentes da sigla. Indagado diretamente pelo deputado Ônyx Lorenzoni sobre os valores atribuídos na prestação de contas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a Lula (R$ 29 mil), José Dirceu (R$ 14 mil) e o próprio Aloizio Mercadante (R$ 3.700), Delúbio afirmou: ''No Partido dos Trabalhadores, os seus dirigentes, ex-dirigentes, funcionários usam essa prática de fazer empréstimo e depois ressarcir sem juros. Foi isso o que aconteceu''. Mercadante atribuiu sua dívida a gastos em viagens que realizou para representação do partido no exterior.


