A briga pelos cargos do terceiro escalão - chefias de núcleos e de escritórios das secretarias de Estado no interior - já começou. Os deputados estaduais da base aliada ao governador Jaime Lerner (PFL), na Assembléia Legislativa, reuniram-se ontem pela manhã com o secretário-chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas, para discutir a indicação de seus afilhados políticos. Estão em jogo cerca de 80 cargos com salários variados. Para os deputados, impôr a vontade nesse momento é questão fundamental na consolidação do poder em suas bases eleitorais.
A conversa com Tato Taborda foi preliminar e deve se desenrolar em diversas rodadas. Os líderes de bancada voltam a se reunir com o chefe da Casa Civil de Lerner, na próxima terça-feira, pela manhã, no Palácio Iguaçu. Eles querem que o governo leve em conta um critério-base para a nomeação dos titulares: a votação de cada parlamentar na região. O deputado que teve maior número de votos nas urnas tem preferência no preenchimento dos cargos. Aonde há conflito de interesses cabe uma composição entre os deputados, desde que integrantes da base aliada.
Estiveram presentes na conversa com Tato Taborda os líderes do PFL, Plauto Miró Guimarães; do recém montado PL, Edno Guimarães; do PTB, Ademar Traiano; e do PPB, o empresário Tony Garcia. O líder do governo na Assembléia, Valdir Rossoni (PTB), também compareceu. Assim como Antonio Carlos Belinati, o filho da vice-governadora Emília Belinati (PTB) e do prefeito de Londrina, Antonio Belinati (sem partido). Antonio Carlos foi representando o PSB. A reunião na Chefia da Casa Civil não contou com nenhum representante da oposição. O loteamento dos cargos ficará restrito à base aliada.
Estão fora da briga dos deputados - pelo menos aparentemente - os cargos do 2º escalão ainda não preenchidos pelo governador como é o caso do Serviço de Loterias do Paraná (Serlopar), do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), da Paraná Turismo, e do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem). ‘‘Queremos discutir as indicações caso a caso, levando em conta os aspectos da região e das cidades pólos’’, ponderou ontem Valdir Rossoni. Ele disse que a conversa com o chefe da Casa Civil serviu também para estreitar os laços entre o governo e a base aliada.
Ademar Traiano aposta na receptividade do Palácio Iguaçu. O deputado defendeu ontem a tese de que os parlamentares são os mais indicados para escolher os nomes. Ele concorda com o critério de que deve prevalescer a vontade do deputado que teve votação maior na região. E sinalizou estar aberto a uma negociação junto aos deputados aliados da região também eleitos em outubro e que queiram emplacar indicações.
O governador Jaime Lerner deve ser comunicado da exigência dos deputados aliados ainda nessa semana, antes de embarcar para os Estados Unidos, no dia 8. Tato Taborda deve ficar com a incumbência. Ao secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, caberá a produção dos decretos de nomeação. No final do ano passado, o governador renovou a nomeação da maioria dos atuais detentores de cargos de 3º escalão. A quase totalidade recebe gratificações comissionadas. Os deputados estaduais querem que Lerner reveja as escolhas, respeitando a vontade de cada um deles. A base de apoio do governador no Poder Legislativo é integrada por 41 dos 54 deputados.

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