Curitiba - A Assembléia Legislativa deve analisar na próxima segunda-feira um requerimento de autoria da Frente Parlamentar de acompanhamento sobre aproveitamento do potencial energético do Estado para que o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) não conceda a Licença de Instalação para a Usina de Mauá enquanto não receber estudos detalhados sobre os impactos da obra. Os deputados cobram estudo sobre as consequências para a população local, inclusive indígenas, e análise sobre a possibilidade de contaminação do rio Tibagi com a construção da usina.
A aprovação de requerimento ao IAP foi uma das decisões tomadas ontem, durante audiência pública na Assembléia, para discutir problemas em relação a construção da usina. Os deputados integrantes da frente parlamentar também querem mais informações sobre o processo. Para isso, estão solicitando cópias da Licença Ambiental Prévia concedida pelo IAP; do Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) apresentado pelo consórcio Cruzeiro do Sul, formado pela Copel e ELetrosul, que ganharam o leilão para o empreendimento.
Também ficou decidida a realização de outra audiência pública, em Londrina, cidade mais prejudicada com a contaminação do rio Tibagi, que abastece a região. Para a audiência, marcada para as 14 horas do dia 24, na Câmara Municipal, estão confirmadas as presenças de todas as partes envolvidas, como IAP, Copel, Eletrosul, Ministério Público Federal e integrantes dos movimentos de moradores afetados pela construção da usina.
A hipótese de que o rio Tibagi seja contaminado passou a ser considerada depois que a Frente de Proteção ao Rio Tibagi divulgou um estudo mostrando que, nas margens do rio, em Telêmaco Borba, onde será formado o lago da Usina, existem várias minas de carvão desativadas. Exploradas desde a década de 30 até 1992, as minas foram soterradas, mas 26 entradas abertas foram mapeadas pelo estudo.
O estudo aponta, ainda, a existência de um depósito de carvão e mofa (restos do carvão), que coberto pelo reservatório, irão liberar os elementos químicos cádmio e manganês, em níveis pelo menos dez vezes superiores ao permitido pelo Ministério da Saúde, funcionando como verdadeiras chaminés de ácido sulfúrico. (Colaborou Catarina Scortecci)

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