Curitiba - Deputados do Parlasul (que reúne os estados do Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul) decidiram ontem iniciar uma mobilização social para conseguir recursos e projetos que tenham como meta a redução do déficit habitacional brasileiro. De acordo com os dados apresentados por Carlos Eduardo Xavier Marun, presidente do Fórum Nacional dos Secretários de Habitação, o País tem hoje um déficit de 7,9 milhões de domicílios. Deste total, 260,6 mil estão no Paraná. ''São pessoas que vivem na miséria absoluta. Muitas estão embaixo de lonas, na beira de córregos ou em locais insalubres'', ponderou Marun.
A idéia é forçar o governo federal a desenvolver projetos como o do México - que tem plano de acabar com o déficit habitacional em dez anos, construindo 1,2 milhão de moradias por ano. ''No Brasil, o ideal era fazer um plano para 30 anos, com a produção ou adequação de 700 mil habitações por ano. Para isso é preciso ousadia e recursos. Mais do que isso, precisa vontade política'', ponderou o palestrante. No ano passado, o Brasil teria produzido 300 mil unidades habitacionais. Do déficit existente, 90% é entre a população de baixíssima renda.
''A habitação precisa ser prioridade dos governos'', disse o vice-governador Orlando Pessuti, que esteve ontem na reunião do Parlasul. De acordo com dados do censo de 2000, o Paraná tem 2.672.180 domicílios particulares permanentes. O déficit habitacional absoluto seria de 260.648 domicílios (229.069 urbanos e 31.579 rurais). Atualmente, 53,8% das famílias com déficit habitacional dividiriam com outras o domicílio por falta de recursos, 25,2% pagariam aluguel sem recursos para isto, 19,6% moram em habitações precárias e 1,4% moram em locais que precisam ser reformados por depreciação.
Segundo a faixa de renda, o déficit paranaense estaria concentrado em famílias que recebem até três salários mínimos (85,4%).

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