Deputados querem fim de 'chapa fechada'
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terça-feira, 11 de novembro de 2008
Catarina Scortecci<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Um movimento de parlamentares favoráveis à escolha individual dos membros da Mesa da Assembléia Legislativa do Estado ganhou força ontem na Casa. A idéia de colocar um fim à votação por chapa fechada surgiu depois que deputados demonstraram insatisfação com nomes que hoje ocupam o comando da Casa. A maioria não seria contra a reeleição de Nelson Justus (DEM) e de Alexandre Curi (PMDB) para os cargos, respectivamente, de presidente e de primeiro-secretário, mas há resistência quanto à permanência de outros nomes na linha de frente. A Mesa é composta por nove membros e exerce um mandato de dois anos, com possibilidade de reeleição. ''Se continuarmos votando em chapa fechada, aumenta o ânimo de alguns deputados para formar uma outra chapa'', revelou o deputado Caíto Quintana (PMDB).
A possibilidade de bate-chapa é levantada porque o presidente Justus já sugeriu que sua gestão seguirá para a reeleição. ''Havia até um compromisso da atual Mesa em dar fim à reeleição. Está se criando agora uma indisposição'', admitiu Caíto, que negou, ainda, qualquer intenção em encabeçar uma chapa numa eventual disputa. ''Não estou pensando nisso no momento'', assegurou ele. Curi disse que o fim da reeleição não chegou a ser discutido na Casa por falta de interesse da maioria e não deu abertura para a implantação de uma votação nominal, em detrimento da chapa fechada. ''Se os partidos quiserem mudar seus representantes dentro da gestão, não há problema. Nós trocamos'', disse Curi.
Mas a idéia daqueles que defendem a votação individual ultrapassaria a questão partidária. ''Hoje todos os membros foram eleitos porque estavam na chapa do Curi e do Justus. A votação individual permitiria que a Mesa fosse composta por quem realmente exerce alguma liderança na Casa. E haveria uma oxigenação'', argumentou o deputado Ney Leprevost (PP). O pepista garante que já tem ''bastante deputado'' pensando no assunto e lembrou que, no passado, o Legislativo paranaense já adotou a votação individual, aos moldes do que ocorre atualmente na Câmara Federal, em Brasília.
Mas até mesmo os próprios deputados têm dúvida quanto à legalidade de uma eleição por voto nominal. Há duas linhas sobre o assunto. Tem deputado que acredita que uma ''brecha'' no Regimento Interno da Casa permitiria a votação ''avulsa'', sem necessidade de alterar as regras do jogo. Outros alegam que haveria sim a necessidade de se aprovar um projeto de resolução para abrir a possibilidade de votação nominal. O deputado Stephanes Júnior (PMDB) já até colheu assinaturas para um projeto de resolução que autoriza a votação individual, mas a idéia ainda não foi colocada pela Mesa na pauta do plenário.


