Deputados querem fim das ocupações de terra
Os deputados estaduais da base governista aguardaram o embarque do governador Jaime Lerner (PFL) para os Estados Unidos para iniciarem a elaboração de um documento em defesa do cumprimento de ordens judiciais e do fim de ocupações promovidas pelos sem-terra. O primeiro secretário da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PTB), coletava assinaturas ontem para um manifesto a ser entregue ao chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda. Os deputados pedem ação rigorosa e ameaçam boicotar os projetos do governo que começam a tramitar na Assembléia, a partir do dia 22, se nenhuma medida for tomada.
Só nesse final de semana, houve seis invasões de terra. O descumprimento de ordens judiciais tem nos preocupado muito. Esse governo só age sob pressão, justificou Hermas Brandão, o autor do texto do manifesto que corria pelos gabinetes dos deputados ontem. Brandão tem experiência no trato dos conflitos pela terra. Foi secretário da Agricultura no governo Lerner até o início do ano passado. Apesar da maioria dos conflitos ter sido administrado pela Secretaria de Segurança, ocupada na época pelo hoje secretário Cândido Martins Oliveira, a Agricultura sempre participou das discussões.
O manifesto que será entregue à Casa Civil pelas mãos do líder do governo Valdir Rossoni (PTB) se restringe à base aliada. O PT e o PMDB anunciaram que não aderem ao movimento. Ângelo Vanhoni (PT) disse que é contra qualquer tipo de pressão para solucionar o problema. A reforma agrária é uma questão mais ampla, que não depende só dos deputados. Demanda uma conversa envolvendo os Três Poderes, considerou. Para o petista, um manifesto condicionando o cumprimento de ordens de despejo às votações em plenário é um equívoco. Um problema social não se trata assim, emendou.
O líder do bloco agropecuário na Assembléia e da bancada do PMDB, Orlando Pessuti, não está disposto a se envolver na polêmica, fomentada pelos ruralistas. É um problema da bancada do governo, antecipou-se. Pessuti concorda com os colegas deputados que a situação não pode continuar a mesma. As invasões estão proliferando. E acho que não pode continuar é essa passividade, observou. Esse governo não está conseguindo responder ao problema. As Vilas Rurais, por exemplo, fazem parte de um excelente projeto de habitação, não de assentamento, ponderou o deputado do PMDB. (L.D)





