Os deputados da bancada de oposição ao governo Jaime Lerner aguardam para hoje uma decisão favorável do juiz José Roberto Pinto Junior, da 8ª Vara Cível de Londrina, em liberar documentos sobre a investigação da lavagem de dólares em contas abertas numa agência do Banco do Estado do Paraná (Banestado) de Londrina de 1998 em diante. Os parlamentares querem receber cópias dos relatórios das auditorias realizadas na agência pelo Banco Central e pelos próprios auditores do Banestado para, depois de uma análise da assessoria jurídica da bancada, decidir quais providências deverão tomar. As operações podem ter ligação com o escândalo AMA-Comurb-Sercomtel-Copel-FonteCindam.
Ontem, em pronunciamento na Assembléia Legislativa, o deputado Moysés Leônidas (PDT) voltou a cobrar explicações do governo do Estado sobre o envolvimento de funcionários do banco estatal com a lavagem de dólares. ‘‘O mínimo que deve ser feito pelo governo e nos fornecer estes dados, sobretudo os valores envolvidos nessas transações irregulares’’, argumentou Leônidas. O líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), respondeu que estava aguardando o recebimento das informações do presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, para esclarecer aos parlamentares quais as providências que o banco já tomou para apurar responsabilidades.
O líder da oposição, Irienu Colombo (PT), não descarta a possibilidade de pedir a criação de uma CPI somente para investigar a lavagem de dólares no Banestado. ‘‘A movimentação destas contas pode ter relação com o dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina’’, adiantou o deputado. Colombo disse que se o juiz liberar os documentos eles devem ser enviados com urgência para análise da assessoria jurídica da bancada oposicionista.
O delegado da Polícia Federal Sandro Roberto Viana dos Santos, informou que a PF já abriu 31 inquéritos para apurar a lavagem de dólares no Banestado. O delegado afirmou que as investigações, pedidas pelo Ministério Público, estão sendo feitas em sigilo pela PF há mais de um mês. Viana não revela o valor total do dinheiro lavado mas o considera ‘‘exorbitante’’.
A operação era feita através de contas-fantasmas, em nome de pessoas físicas ou jurídicas, com documentos falsificados. A fraude teria começado em meados de 1998, depois da venda de 45% das ações da Sercontel para a Copel. A investigação da PF tenta comprovar que o dinheiro obtido com a venda das ações, R$ 186 milhões, pode ter sido desviado para a lavagem de dólares, com a conivência do prefeito afastado Antonio Belinati (PFL). O delegado disse ter certeza da participação de funcionários do Banestado na operação fraudulenta.
A assessoria de Imprensa do banco informou que a diretoria da instituição só vai se manifestar sobre o caso depois que o Ministério Público encerrar as investigações. Em nota oficial, a diretoria do Banestado confirmou que uma auditoria interna do banco, detectou ‘‘algumas contas abertas no ano de 1998, na praça de Londrina, com suspeitas de eventuais irregularidades’’. Ainda segundo a nota, o Banco Central e, posteriormente, o Ministério Público, foram informados do andamento da apuração e que o Banestado enviou diversos documentos à Polícia Federal e ao MP para ajudar na conclusão dos inquéritos policiais. (Colaborou Agência Estado)

mockup