Os seis deputados estaduais acusados pelo ex-coronel da Polícia Militar de Alagoas Manoel Cavalcante de envolvimento com pistolagem apresentaram ontem na Assembléia Legislativa a proposta de criação de uma CPI para investigar o crime organizado no Estado. Eles não compareceram à CPI do Narcotráfico da Câmara dos Deputados para se defender. Os deputados preferiram manifestar-se durante a sessão de ontem pela manhã da assembléia. Eles conseguiram 12 assinaturas de apoio para a criação da CPI. A proposta foi apresentada pelo deputado Antônio Albuquerque (PRTB) e também teve o apoio até dos deputados Paulo Fernando dos Santos (PT) e Paulo Nunes (PT).
Durante a sessão na Assembléia, além de Albuquerque, fizeram uso da tribuna para se defender das acusações os deputados Cícero Ferro (PTB), Francisco Tenório (PDT) e João Beltrão (PMDB). Os deputados Júnior Leão (PSDB), Celso Luiz (PSDB) e Fátima Cordeiro (PDT), que também foram acusados por Cavalcante, não se pronunciaram. Fátima disse que é inocente e chorou. Leão disse que não comentaria denúncias de ‘‘bandido’’. Albuquerque disse que não estava surpreso com as denúncias de Cavalcante. ‘‘Quem é bandido não quer ser bandido sozinho!’’.
Para Ferro, as declarações de Cavalcante, ‘‘além de infundadas e vazias, são inconsequentes e irresponsáveis’’. ‘‘Não sei como uma CPI dá crédito a um marginal, a um bandido que deve pegar mais de cem anos de cadeia pelos crimes que ele já praticou em nosso Estado’’, afirmou Ferro. Sobre a acusação, ele disse que Cavalcante é inimigo dele. ‘‘Eu fui líder do governo que o colocou na cadeia e o expulsou da PM’’, acrescentou. Tenório disse que foi denunciado por Cavalcante porque teve a coragem de o acusar, quando o ex-coronel era o ‘‘todo-poderoso’’ de Alagoas.

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