Brasília - O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) apresentou ontem requerimento ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), para que a Casa Legislativa tenha acesso à cópia do inquérito da Operação Hurricane que investiga a venda de sentenças para favorecer a máfia de jogos. Miro argumenta que, como há indícios do envolvimento de parlamentares com o financiamento de campanhas eleitorais pelo jogo do bicho, a Câmara tem que acompanhar as investigações do Poder Judiciário.
''Não é uma investigação, mas sim acompanhar a que está sendo feita. Não podemos ver os fatos acontecendo em torno de parlamentares sem o nosso acompanhamento. É natural que todos os poderes se juntem no esforço de punir os envolvidos'', disse Miro.
Reportagem da Folha de S.Paulo de ontem cita os nomes de deputados federais supostamente envolvidos, como Marina Maggessi (PPS-RJ) e Simão Sessim (PP-RJ). Inquérito da PF indica que há ''indícios e provas'' contra deputados que teriam sido beneficiados pelo esquema do jogo do bicho.
''Se não podemos ter tudo, pelo menos o que diz respeito a parlamentares. Temos que ter a responsabilidade com a transferência de sigilo'', disse Miro.
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que vai analisar o requerimento, mas não adiantou se poderá solicitar o inquérito à PF. Chinaglia teme que o documento não seja mantido sob sigilo se chegar às mãos da Câmara. ''O assunto é de interesse da Casa. Vou analisar. A Câmara não pode ser a última a tomar conhecimento. De qualquer forma, precisamos ter cautela de não expor nenhum parlamentar. Já houve casos de vazamento'', disse.
Chinaglia pediu que a Corregedoria da Câmara investigue o suposto envolvimento de Maggessi no esquema - já que a deputada foi a primeira a ter o nome citado no suposto financiamento. O corregedor da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), sinalizou que deve repassar as investigações à Justiça Eleitoral, sem a participação direta da Câmara.

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