Deputados querem acareação entre os envolvidos no caso Olvepar
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quinta-feira, 04 de setembro de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A CPI da Copel vai votar na terça-feira um requerimento para a realização de uma acareação entre o ex-presidente da Companhia Paranaense de Energia e ex-secretário de Estado da Fazenda Ingo Hubert e o ex-coordenador-geral da Receita Estadual João Manoel Delgado Lucena. Os deputados querem esclarecer divergências ocorridas nos dois depoimentos. Hubert afirmou em depoimento à CPI que em abril de 2002 a Receita Estadual emitiu um documento que sugeria benefícios na compra de créditos tributários da Olvepar S.A. Indústria e Comércio.
No entanto, Lucena disse o contrário. De acordo com ele, a Receita Estadual sempre se posicionou contra a realização da operação porque os créditos ''não tinham liquidez no mercado financeiro e representariam um risco para o governo do Estado''. Os créditos somavam R$ 43 milhões e foram comprados com deságio por R$ 39,6 milhões em dezembro do ano passado. Lucena afirmou que foi consultado por três vezes pela diretoria da Copel. Numa das vezes, teve que dizer pessoalmente para o presidente Ingo Hubert que não avalizaria a transação. ''Para mim a questão estava encerrada. Eu deixei claro que não iria reanalisar o processo'', salientou aos deputados no mês passado.
''As informações são divergentes. Precisamos de esclarecimentos'', afirmou o deputado estadual Tadeu Venéri (PT), subrelator para assuntos de créditos tributários. Hubert tentou entregar um documento para a CPI que teria sido feito pela Receita Estadual, no entanto, os deputados não aceitaram. O documento que seria capa da transação da Olvepar não tinha timbre da Receita Estadual e nem a assinatura de qualquer diretor da instituição. A acareação deve ficar marcada para o dia 16 deste mês e será a última oitiva dos parlamentares antes do relatório final.
No mesmo dia, os parlamentares pretendem acarear Hubert e o ex-diretor da contabilidade da Copel, Cezar Bordin. A dúvida dos parlamentares é a de que o ex-presidente da Copel afirmou que não tinha conhecimento de que o pagamento da Olvepar teria sido feito de forma irregular, já que a pessoa que recebeu e definiu os pagamentos para contas diferentes não tinha procuração jurídica da Olvepar. No entanto, Bordin teria afirmado que levou a informação ao conhecimento de Hubert.


