Brasília - Cerca de cem deputados integrantes da Frente Parlamentar da Saúde vestiram ontem aventais e toucas cirúrgicas e patrocinaram no plenário e no Salão Verde da Câmara um protesto contra a previsão de gastos para o setor, no ano que vem. Paralelamente à manifestação, ministros e governistas se reuniam para fechar os detalhes técnicos que poderiam, ainda na noite de ontem, direcionar mais R$ 3,5 bilhões para o orçamento da saúde.
O total de gastos previstos pelo Executivo para o setor em 2004, R$ 35,8 bilhões, vem sofrendo uma coordenada reação devido ao fato de incluir R$ 3,5 bilhões relativos a gastos com saneamento e com programas de combate à pobreza. Entidades e políticos ligados à saúde argumentam que o governo usou-se de um artifício para cumprir a determinação constitucional de que os recursos da área devem ser corrigidos, ano a ano, pela variação nominal do PIB (Produto Interno Bruto).
O Palácio do Planalto vinha afirmando que saneamento e combate à pobreza são gastos com saúde preventiva, mas não resistiu às pressões e discutia ontem as formas de alterar a proposta orçamentária em tramitação no Congresso.
Durante a manifestação, a Frente divulgou uma nota com críticas ao governo. ''Não é possível que o que se tenha a oferecer seja a troca de um atendimento pré-natal por um prato de comida. A saúde é um resultado de várias ações, complementares e não excludentes'', diz trecho do documento. Deputados de vários partidos aderiram ao ato, incluindo petistas. Eles discursaram no plenário da Casa e, no final, subiram à Mesa da Câmara.
''Aqui estão os lobistas da saúde pública, da cidadania, os lobistas do SUS (Sistema Único de Saúde)'', afirmou o deputado Rafael Guerra (PSDB-MG), presidente da Frente. As declarações visavam rebater afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - feita em encontro com senadores - de que a polêmica seria movida por lobby de donos de hospitais particulares.

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