Curitiba - Os deputados estaduais do Paraná redescobriram - depois de quatro anos - a existência das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). O cenário neste início de legislatura é idêntico ao de 2007, quando os deputados da base do Governo movimentaram-se para recolher assinaturas na tentativa de instalar na Casa o número máximo de CPIs permitido: cinco. A diferença, desta vez, é que as comissões anunciadas estão saindo do papel.
Há quatro anos, cinco requerimentos para instalação de CPI foram protocoladas na Mesa como manobra da bancada governista para impedir a instalação de uma comissão que pretendia apurar fatos ligados ao ex-governador Roberto Requião (PMDB). O então presidente da Casa, Nelson Justus (DEM), no entanto, não deu continuidade a nenhum dos pedidos, impedindo que os trabalhos fossem iniciados.
A ''corrida'' para instalar as CPIs neste início de legislatura teria um motivo um pouco diferente. Para o cientista político da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Emerson Cervi, os deputados têm aproveitado o momento de anúncios de mudanças em que vive o Legislativo estadual - com notícias de medidas moralizadoras e promessas de transparência inédita - e descobriram que essa é uma frente de grande visibilidade, especialmente para o presidente e o relator dos trabalhos.
Das cinco CPIs anunciadas, duas já foram instaladas e realizaram reuniões na última semana. São as comissões intituladas de ''CPI da Espionagem'' e ''CPI das Falências''. Uma terceira, que pretende apurar denúncias de irregularidades no Porto de Paranaguá, já foi protocolada junto à Mesa Diretora e deve ter os membros definidos na próxima semana. O autor da quarta comissão, Cleiton Kielse (PMDB), informou que irá protocolar o requerimento de uma nova ''CPI do Pedágio'' na segunda-feira. Para a quinta - e última permitida de acordo com o Regimento Interno da Casa - já foram colhidas algumas assinaturas, mas o autor, Douglas Fabrício (PPS) disse que pretende esperar para começar a investigar denúncias de rombo na Paraná Previdência.
Na opinião de Cervi, não se deve ter grandes expectativas em relação a resultados práticos das CPIs anunciadas. ''Todas elas têm cunho político. O histórico das CPIs - tanto no âmbito estadual, como no federal - não é bom. Raramente elas chegam a algum resultado''. O professor destaca o fato dos parlamentares agora desejarem atuar em frentes que antes não atuavam. Sobre o argumento de que essa abertura era impedida pelo presidente Justus, Cervi é enfático. ''Ninguém, nem o presidente da Assembleia, pode barrar uma CPI. Se alguém quisesse mesmo, poderia ter recorrido ao Ministério Público ou à imprensa. Fato é que eles não queriam fazer''.
Ele ainda chama a atenção de que, com exceção da CPI da Espionagem que apura fatos internos, as demais investigações são ligadas a elementos do governo anterior. ''Vejo que, por exemplo, a CPI do Pedágio pode acabar justificando uma eventual dificuldade do governo atual não cumprir sua promessa de campanha para abaixar o valor da tarifa. Esse é um movimento que vai colocar o Parlamento ainda mais próximo do Executivo''.

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