Representantes do Fórum das Entidades Sindicais (FES) voltaram a se manifestar a favor da data-base
Representantes do Fórum das Entidades Sindicais (FES) voltaram a se manifestar a favor da data-base | Foto: Mariana Franco Ramos


Curitiba - Ainda sob tensão, por conta do embate entre governo e servidores públicos estaduais, a AL (Assembleia Legislativa) do Paraná realizou nessa quarta-feira (11) sua última sessão antes do recesso parlamentar. Os deputados estaduais agora voltam a se reunir em plenário apenas no dia 1° de agosto. Segundo parlamentares ouvidos pela FOLHA, a expectativa é de que, com a proximidade das eleições, as discussões sigam acaloradas.

Um dos pontos de pauta do retorno será a reposição inflacionária dos trabalhadores do Tribunal de Justiça, do Tribunal de Contas, da Defensoria Pública, do Ministério Público e da AL. Após interromper a tramitação do projeto de lei que reajustava em 1% os salários do funcionalismo estadual, a governadora Cida Borghetti (PP) informou que irá vetar os aumentos de 2,76%, concedidos aos demais poderes. As mensagens foram todas aprovadas no Parlamento.

Membros da oposição à pepista e da cada vez mais fortalecida bancada independente querem derrubar o veto, mantendo os 2,76%. Representantes do Fórum das Entidades Sindicais (FES), que novamente lotaram as galerias do Legislativo, reivindicam o mesmo índice. Eles realizaram ontem mais uma manifestação a favor da data-base. O último aumento para as diferentes categorias aconteceu há dois anos e meio.

ACIRRAMENTO
Para o presidente da AL, Ademar Traiano (PSDB), há uma tendência natural de que os deputados estejam mais focados em suas campanhas daqui por diante. "O momento político acirra as divisões. É um processo natural da vida democrática. As tendências vão se afunilando para esse ou aquele candidato e os posicionamentos passam a ser diferentes. Mas imagino eu que, quando os projetos forem de interesse público, os deputados vão aprovar sem radicalização".

De acordo com o líder da oposição, Anibelli Neto (MDB), o semestre foi extremamente trabalhoso. "Fizemos aquilo que tivemos que fazer, talvez com uma vertente não tão radical, mas uma oposição construtiva, dizendo o que estava errado e qual seria a alternativa para melhorar. Tivemos enfrentamentos, principalmente na questão da antecipação do ICMS (...) Cumprimos o papel de mostrar à sociedade o que é feito de maneira não correta. Temos a consciência tranquila".

O primeiro vice-presidente da AL, Guto Silva (PSD), destacou a mudança de posicionamento do bloco formado por PSD e PSC, que na questão da data-base se uniu à oposição. "A bancada fez um movimento importante, que mudou a votação aqui na Assembleia e as orientações na Casa. É uma posição de consolidação do projeto do Ratinho Jr. (PSD) como pré-candidato a governador. Estamos muito confortáveis e com total independência para fazer os movimentos necessários e oportunos de posicionamento político".

Na avaliação de Luiz Cláudio Romanelli (PSB), que ocupou a liderança do governo durante a gestão de Beto Richa (PSDB), o semestre foi "morno". "Tivemos debates importantes, mas já estamos muito contaminados pelo processo eleitoral. Isso acaba atrapalhando um pouco as discussões, até porque os posicionamentos passam a ser ditados para agradar determinados segmentos ou para não desagradar outros. O processo legislativo fica um pouco comprometido", opinou.

SEM ENTREVISTAS
O atual líder da situação, Pedro Lupion (DEM), informou, por meio de sua assessoria, que a partir de agora só concederá entrevistas mediante agendamento. Tradicionalmente, os parlamentares, sobretudo aqueles que ocupam posições de liderança na Casa, conversam com os jornalistas no comitê de imprensa, durante e após as sessões. Lupion foi acionado por diversos veículos de comunicação ontem, no entanto, não apareceu. Deixou o plenário assim que acabou a reunião.

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