Deputados petistas criticam Dilma e Tarso
Brasília - Irritados com a influência dos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Tarso Genro (Justiça) sobre o presidente Lula, deputados e até mesmo dirigentes do PT iniciaram um movimento para fustigar a dupla e reconquistar espaço no partido e no governo. As queixas, apimentadas por críticas ao apetite do PMDB e do PP por cargos, chegaram ao Palácio do Planalto na semana passada, quando Lula foi alertado por auxiliares que terá de entrar em campo para segurar a disputa.
Nesse casamento de aparências, sacudido por crises sucessivas, não faltam ironias ao ''PT de Dilma'' e ao ''PT de Tarso''. ''É uma espécie de saudosismo do poder absoluto'', reagiu Tarso, do grupo Mensagem ao Partido, numa referência ao ex-chefe da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu, que comandou o PT de 1995 a 2002. ''O PT, hoje, não tem nenhum bloco que o tutele com mão-de-ferro. É um partido moderno, compatível com a era digital, e não com o arado e o carro de boi.''
Os petistas começaram a lavar a roupa suja num jantar da bancada promovido pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), na segunda-feira, com o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. Neles, deputados do PT escancararam as divergências: reclamaram que Dilma quer controlar todas as nomeações - do setor elétrico à Petrobras, passando pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) - e barra os nomes indicados pelo partido para ocupar postos na administração. A choradeira descambou para a cobrança de melhor relacionamento com o governo e ataques aos parceiros da base aliada.
''Há perseguição a petistas na Esplanada e muitos ministros, com o argumento de que são técnicos, não fazem a discussão política conosco'', esbravejou o deputado Cândido Vaccarezza (SP). ''Quando o ministério é comandado pelo PT, a gente tem de conciliar. Quando não é do PT, não há nenhum tipo de benevolência ou contemporização por parte dos aliados'', emendou o deputado Jilmar Tatto (SP), que, como Vaccarezza, integra o grupo da ministra do Turismo, Marta Suplicy.
O embate que expõe as fraturas no PT tem como pano de fundo as eleições para as prefeituras, em outubro, além da disputa pelo legado de Lula, em 2010, já que Dilma e Tarso são pré-candidatos à sua sucessão. ''Eu não tenho ingerência sobre cargos nem tempo para cuidar disso'', afirmou Dilma, por intermédio de sua assessoria, apesar da queda-de-braço com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e o senador José Sarney (PMDB-AP) pelas indicações do setor elétrico. (V.R./Agência Estado)





