O deputado federal Paulo Cordeiro (PTB-PR) decide se troca seu partido pelo PSDB na semana que vem. O deputado José Borba deve seguir pelo mesmo caminho. A única dúvida no PTB é Chico da Princesa, que tem convites tanto dos tucanos como do PFL. Se os três deputados confirmarem a mudança de partido, o PTB do Paraná deixa de ter representantes na Câmara dos Deputados.
A representação do PTB do Paraná já foi de seis deputados em Brasília. Hoje está por perder os três restantes. O último a mudar para o PSDB foi Odílio Balbinotti, há 15 dias. A debandada deve atingir outros Estados. Ilário Coimbra (PA) é um exemplo de mudança para o grupo dos tucanos, segundo Cordeiro. O partido, que chegou a ter 39 deputados federais, ainda mantém 24, mas ao que tudo indica não por muito tempo.
O PSDB, que há duas semanas recebeu também as filiações dos ex-pepebistas Basílio Villani e Renato Johnsson, já tem cinco deputados federais no Paraná. Outro nome cogitado para assinar ficha no partido é o do deputado Djalma de Almeida César (PMDB). Seu ingresso no ninho tucano é tido como ‘‘natural’’, em função de ele ser aliado do prefeito de Ponta Grossa, Jocelito Canto (PSDB) - na eleição, César integrava a chapa como vice-prefeito, mas não assumiu preferindo a vaga aberta na Câmara dos Deputados.
Paulo Cordeiro admitiu ontem que a semana de 17 a 21 de fevereiro ‘‘será decisiva’’. Só existe uma alternativa de ele, Borba e Chico da Princesa permanecerem no PTB: que a liderança do partido na Câmara saia do controle do deputado Vicente Cascione (SP). ‘‘Partido que é governo e não capitaliza isso, míngua’’, justificou ontem Cordeiro, ao afirmar que existe uma insatisfação interna da bancada do PTB na Câmara desde o episódio de Pedrinho Abrão (GO) - acusado de tentativa de suborno na definição de verbas do orçamento.
Já o comportamento do líder Cascione está descontentando toda a bancada, diz Cordeiro. Apesar de o partido ter fechado questão a favor da reeleição de Fernando Henrique Cardoso, Cascione foi o único do partido que votou contra no plenário (outros três não apareceram para votar), enquanto os 20 restantes votaram conforme a decisão.
Cascione também atrapalhou a indicação de Nelson Trad (MS) para a segunda secretaria da mesa da Câmara. ‘‘Depois de fecharmos questão sobre o nome de Trad, Cascione também se candidatou e foi disputar a indicação com Trad, em plenário, outra atitude que não condiz com uma liderança’’, enumera Cordeiro.
O deputado diz que permanece no PTB para fortalecer o partido no bloco PSDB-PTB na Câmara - e garantir a maioria de 114 parlamentares para ocupar relatorias e presidências de comissões importantes na Câmara - apenas se Cascione for neutralizado. ‘‘Tenho 36 prefeitos aliados que tenho de representar junto ao governo federal e se não tenho as portas abertas para isso, não tenho mais interesse em continuar no PTB’’, disse.

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