As invasões promovidas pelo MST nas fazendas Jacutinga, em Porecatu (85 km ao Norte de Londrina); e São Sebastião, em Santa Cruz do Monte Castelo (103 km a Oeste de Paranavaí), no final de semana, foram a gota d’água para mais uma rebelião dos deputados que defendem os interesses dos ruralistas na Assembléia Legislativa. Luiz Accorsi (PTB), integrante da bancada que pressiona o governo do Paraná a cumprir ordens de despejo autorizadas pela Justiça, abriu fogo ontem contra o governo, MST e Incra.
O deputado disse que o grupo vai dar 15 dias para o governo Lerner cumprir os despejos e articular, junto ao ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, em Brasília, nesta semana, a demissão do atual superintendente do Incra no Paraná, Petrus Abib. ‘‘Ele é um sócio, um parceiro do MST’’, acusou. Accorsi disse que a bancada vai levar ao ministro - numa audiência a ser marcada pelo Palácio Iguaçu - o nome do atual assessor especial do governo para assuntos fundiários, José Carlos Araújo Vieira.
‘‘Esses pilantras (sem-terra) têm que sair. Os fazendeiros estão pacientes demais’’, fomentava Luiz Accorsi ontem. Ele disse que não tem propriedades a defender, mas que o governo precisa dar mais atenção aos proprietários rurais que estão irritados com os desdobramentos do conflito pela terra. ‘‘Pense bem, invadirem a sua casa e você não poder fazer nada’’, comparava o deputado, que diz não estar sozinho na briga em defesa da retomada das cerca de 100 áreas invadidas pelo MST em todo o Estado.
‘‘Em 44 áreas, o despejo já pode ser feito’’, contabilizou. Accorsi citou os deputados Hermas Brandão (PTB), Divanir Braz Palma (PPB), Miltinho Pupio (PSC) e Plauto Miró Guimarães (PFL) como seus aliados no movimento, que, entre outras coisas, prega a estadualização da reforma agrária, freando a atuação do Incra hoje. ‘‘O secretário de Segurança Cândido Martins Oliveira tem um plano de desocupação há quatro anos pronto. Mas até agora nada do aval do governador’’, considerou Accorsi.
Petrus Abib reagiu às acusações de Accorsi e de seu grupo. ‘‘Os deputados ruralistas precisam conhecer melhor a legislação’’, criticou ele. Abib disse que a legislação garante a participação de representantes do MST no processo de desocupação e desapropriação de áreas, bem como no questionamento de laudos oficiais. ‘‘Não estou protegendo ninguém. Eles têm o direito. O decreto do governo federal (2.250/97) democratizou a reforma agrária. Eu sigo as regras do jogo’’, disse. ‘‘Que a pressão existe, eu sei. Mas esse processo advém do desconhecimento, da falta de informação.’’
O assessor especial José Carlos Vieira, indicado pelos deputados para ficar com o cargo de Abib, disse que o conflito agrário instaurado hoje no Estado não tem nada a ver com nomes. ‘‘A questão não é essa (trocar a superintendência do Incra). Se o governo tem o ônus de usar a força policial para desocupar áreas, também tem de ter o bônus de participar do processo’’, declarou, ao defender a ampliação do papel do governo no processo de reforma agrária.

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