Deputados pedem revisão de projetos de usinas
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terça-feira, 04 de outubro de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Assembléia Legislativa realizou ontem uma audiência pública para discutir a intenção do governo de construir usinas hidrelétricas em rios paranaenses. O governo federal pretende iniciar em dezembro deste ano as licitações para a construção de 17 usinas, dentre as quais oito no Rio Tibagi.
Participaram da audiência representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Copel, Universidade Estadual de Londrina (UEL), Secretaria do Meio Ambiente e outras entidades civis e estatais. Para o deputado José Maria Ferreira (PMDB), que coordena o Fórum Parlamentar de Acompanhamento das Barragens, as discussões mostraram que os projetos de construção apresentados pelo governo federal precisam ser revistos urgentemente. ''Acho que sensibilizamos o governo federal ao mostrar as falhas nos projetos, especialmente na questão ambiental'', destacou Ferreira.
O argumento do Ministério de Minas e Energia para justificar a construção das barragens é o perigo do país sofrer um novo apagão a partir de 2009 caso não se invista na geração de energia no país. Para Ferreira, a preocupação do governo federal é válida, mas o Paraná não pode ser sacrificado por conta desta ameaça. ''Sem dúvida, a longo prazo teremos que aproveitar toda e qualquer fonte de energia disponível. Mas isso não pode ser feito de maneira atropelada, prejudicando irremediavelmente o sistema ambiental do Estado'', comentou.
O peemedebista defende a necessidade da elaboração de um plano diretor e de estudos de impacto ambiental antes de qualquer intervenção na bacia do Tibagi. ''Os estudos do governo federal sobre o prejuízo ambiental são muito falhos. Não há previsão para mitigar os danos causados ao meio ambiente, à economia e os prejuízos derivados da mudança das populações que habitam a região do Tibagi. É preciso um plano diretor para a região'', defendeu Ferreira.
O deputado Barbosa Neto (PDT) acredita que a questão das usinas conseguiu unir a Assembléia, o Palácio Iguaçu e a sociedade civil em torno da causa. ''Vamos realizar manifestações em Londrina mostrando o prejuízo irreparável que essas usinas hidrelétricas podem trazer. Existem outras alternativas para evitar o apagão'', garantiu.
Barbosa Neto citou como exemplo o investimento de R$ 465 milhões realizados pelo governo federal no Rio Grande do Sul para a construção de uma usina eólica (movida pelos ventos) que irá gerar 120 MW. ''Além da energia eólica, temos um litoral que se estende por 8 mil km que pode ser usado para a geração de energia através das correntes marítimas. O BNDES já disponibilizou R$ 11 bilhões ao Proinfa (Programa de Incentivo e Financiamento à Geração de Energia Alternativa) para avançarmos na pesquisa e exploração de energias limpas'', lembrou o pedetista.


