Os deputados José Lourenço (PMDB-BA) e Jonival Lucas Júnior (PMDB-BA) pediram ontem abertura de inquérito pela Polícia Federal para investigar a escuta telefônica que revelaria negociações financeiras para filiação de parlamentares baianos ao PMDB.
O grampo telefônico foi feito em janeiro e envolve também o ex-deputado Jonival Lucas. Os diálogos atribuídos aos parlamentares e seus familiares – a mãe de Jonival Lucas Júnior também participaria das conversas – revelariam benefício financeiro para que quatro deputados saíssem do PFL para o PMDB.
No pedido feito ao diretor da PF, Agílio Monteiro Filho, eles argumentam que o grampo telefônico sem autorização judicial é crime. Os outros dois deputados são Roland Lavigne (PMDB-BA) e Leur Lomanto (PMDB-BA). Os quatro se filiaram ao PMDB no final do ano passado. Anteontem eles pediram ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), a abertura de investigação pela corregedoria.
No plenário, José Lourenço fez um discurso em nome dos quatro envolvidos na suposta negociação. Ele atacou o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), comparando-o a Adolf Hitler, líder nazista. O deputado chamou ACM de ‘‘derrotado’’ e afirmou que o senador é conhecido por sua ‘‘arrogância’’. Ele disse que, há quatro anos, ACM ‘‘roubou’’ a eleição para o Senado do deputado Waldir Pires (PT-BA).
‘‘Ao mal que (ACM) nos faz com montagens de escuta telefônica para nos caluniar, lhes respondemos procurando a Polícia Federal e o caminho das leis, estradas que não é de seu hábito trilhar’’, afirmou. José Lourenço disse que ACM opta ‘‘por acender as fornalhas que põem em funcionamento a sua extremamente produtiva usina de mau-caratismo’’. Ele afirmou ainda que o senador é ‘‘traidor contumaz’’ e ‘‘esmagou a todos (seus aliados) com sua truculência e método de exclusividade ditatorial’’.
Sobrinho de ACM, o deputado Paulo Magalhães (PFL-BA) foi à tribuna da Câmara defender o senador. Paulo Magalhães chamou José Lourenço de ‘‘bajulador’’ e ‘‘traidor’’. ‘‘Ele faz ilações sobre um homem que tantas vezes bajulou. Eu sou testemunha de tantas e tantas vezes em que esse deputado foi bajular o senador Antonio Carlos e pedir-lhe apoio’’, afirmou Paulo Magalhães. ‘‘Ele (José Lourenço) já o traiu no passado e agora o trai novamente’’, completou.

mockup