Deputados paranaenses apostam em cassação de Cunha
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domingo, 15 de novembro de 2015
Luís Fernando Wiltemburg<br> Reportagem Local 
A situação do presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB), fica cada vez mais insustentável e, apesar de ainda ter a força de quem foi eleito por uma maioria de representantes de partidos pequenos, teve as primeiras demonstrações de perda de poder político na última semana.
Esta é a análise de cinco parlamentares paranaenses procurados pela FOLHA para avaliar o atual momento político pelo qual passa o homem-forte da Câmara Federal, abalado por denúncias de ter recebido milhões de dólares em propina no chamado "petrolão" e de ter mantido recursos não declarado em contas na Suíça.
Cunha negou, em depoimento por iniciativa própria à CPI da Petrobras, em março, ter recebido dinheiro de propina ou de ter contas no exterior. Porém, em outubro, o Ministério Público suíço divulgou quatro contas bancárias no nome do parlamentar.
Foi com base na declaração dele à CPI que deputados do Psol e Rede entraram com pedido de cassação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados. O relator do caso, Fausto Pinato (PRB-SP), deve elaborar seu relatório preliminar sobre aceitação ou não do pedido de cassação com base nos documentos que pesam contra o peemedebista, que deve apresentar sua defesa amanhã ou terça.
Para o vice-presidente do Conselho de Ética, Sandro Alex (PPS-PR), é "muito difícil" o relatório preliminar não ser aceito. Ele afirma, ainda, que a entrega dos documentos para o Conselho serão imprescindíveis para comprovar as denúncias. "Até o momento, só sabemos disso pela imprensa, mas, com os documentos em mãos, vamos ver quem está mentindo: ele ou o Procurador-Geral da República (Rorigo Janot)", afirma.
Em sua análise, a derrota de Cunha na última semana, quando o plenário rejeitou a inclusão de homens públicos no projeto de lei que permite a repatriação de ativos não declarados no exterior, é demonstração de perda de prestígio político. "Vamos ver se, na defesa, ele sustenta sua palavra com documentos."
Alex Canziani (PTB-PR) admite que a situação de Cunha na Câmara é ruim, mas ressalta que não o impedem de se manter na presidência. Ele ainda conta com sustentação de seu próprio partido e de outros que o elegeram, além de uma reaproximação do governo federal.
Além disso, o peemedebista não deve se afastar da função porque consideraria uma perda de força que aumentaria a chance de cassação. Mas, para o petebista, se for a plenário, o impeachment será certeiro, ainda mais com votação aberta. "O André (Vargas, sem partido), que tinha um bom trânsito aqui dentro, obteve apenas um voto contra a cassação", recorda.
Para Rubens Bueno (PPS-PR), Cunha deveria se licenciar do cargo enquanto se defende. "A situação é insustentável e ele perdeu a autoridade para presidir a Câmara", opina, com base no "balaio de contradições" entre as afirmações de Cunha na imprensa e as provas que pipocam contra ele.
Para Marcelo Belinati (PP-PR), ainda não é possível prever o resultado do processo na Conselho de Ética. "Pelo que vemos pela imprensa, os fatos são graves, mas dizer qual será o relatório seria um chute", afirma. Já para Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), o caso é grave e deve prosperar. Tanto ele quanto Marcelo, entretanto, consideram que Cunha não escaparia caso a cassação fosse para votação. "Já vi outros presidentes, com denúncias menos graves, não escaparem", recorda o tucano.
O pepista Ricardo Barros é outro representante do Paraná no Conselho de Ética, mas disse, durante a semana, que a relatoria do Orçamento o afastou das discussões.


