Curitiba - A Comissão de Ética da Assembléia Legislativa, que investiga suposta compra e venda de apoio entre o deputado Edson Praczyk (PL) e o governo do Estado ouviu ontem os deputados Mauro Moraes (PL), visivelmente nervoso, e Chico Noroeste (PL). Em uma audiência de apenas dez minutos, os dois falaram novamente que não presenciaram nenhum tipo de proposta de ambas as partes e quase não foram inquiridos pelos membros da Comissão. Hoje é a vez do líder do governo na Assembléia, deputado Dobrandino da Silva (PMDB) e do ex-líder do governo, deputado Natálio Stica (PT), falarem, já que teriam sido eles que agendaram as reuniões entre o governo e os deputados. Amanhã deve depor o secretário de Estado da Comunicação, Ariton Pisseti.
A versão de Noroeste não mudou. Como ele já tinha afirmado quando o caso veio à tona, o deputado disse à Comissão que não participou da reunião em que houve a suposta oferta de Praczyk ao governo, ou vice-versa, e por isso não poderia contribuir com nada. Noroeste afirmou ainda que não acredita que Praczyk tenha pedido algo. Moraes também repetiu sua versão, já contestada por Praczyk. Segundo ele, os deputados do PL e Renato Gaúcho (PDT) foram chamados para uma reunião com objetivo de indicar rádios para participar do processo licitatório de propaganda do governo. Moraes reafirmou que não ouviu proposta de nunhuma das partes e que, por alguns momentos, saiu da sala onde estavam Praczyk e Gaúcho. Praczyk afirma que Moraes ficou na sala o tempo todo e ouviu a proposta.
Fazem parte da Comissão de Ética o presidente, deputado Nelson Garcia (PSDB), que não pode fazer perguntas aos depoentes, o relator, deputado Antonio Anibelli (PMDB), e os deputados Padre Paulo (PT), Neivo Beraldin (PDT) e Élio Rusch (PFL). Todos podem fazer questionamentos. Nos depoimentos de Gaúcho e Praczyk, na última quarta-feira, os deputados apenas ouviram sem nenhuma indagação. Ontem, a pedido do presidente da Comissão, os deputados fizeram apenas duas perguntas. ''Tudo já foi dito no plenário. Não vi necessidade de perguntas'', justificou Beraldin, que questionou apenas se Moraes estava mesmo presente na reunião e se ausentou por alguns minutos.
A questão começou quando o governador Roberto Requião (PMDB) afirmou que Praczyk pediu R$ 45 mil por mês para votar com o governo. Já Praczyk rebateu as acusações afirmando que ele e mais os deputados Renato Gaúcho e Mauro Moraes receberam a oferta do governo, porém, segundo ele, nunca se falou em valores como afirmou Requião.

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