Brasília - Com bananas, laranjas e pãezinhos, oposição e governo defenderam ontem suas posições sobre o reajuste do salário mínimo na Comissão Especial do Salário Mínimo. Para protestar contra o reajuste, a deputada Luciana Genro (sem partido-RS) usou pãezinhos. Segundo ela, o reajuste de R$ 20 para o mínimo permite ao trabalhador comprar diariamente apenas três pãezinhos ao longo de um mês. A deputada colocou os pães sobre a mesa principal da comissão em que estavam o presidente, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), o relator da matéria, deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ), o ministro Guido Mantega (Planejamento) e o senador Paulo Paim (PT-RS).
Para responder à provocação da deputada, o deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) mandou assessores às compras. Eles voltaram com uma cesta básica, um saco de laranjas, pacotes de biscoito, um cacho de bananas e uma nota fiscal de R$ 39,52. Nas contas do deputado petista, o reajuste de R$ 20 para o mínimo precisa ser somado ao aumento do salário-família. Junto com o reajuste do salário mínimo, o governo elevou o salário-família de R$ 13,48 para R$ 20 para quem ganha até R$ 390.
''Se você considerar uma família brasileira típica, com três filhos, o aumento do salário-família com o aumento do mínimo gerará um ganho de renda de R$ 39,56'', declarou Guimarães, acrescentando que ainda sobrariam R$ 0,04 de troco da compra que fez. ''A deputada não considerou o aumento do salário-família porque para ela esse valor não deve fazer falta.''
Em meio a bananas e laranjas, Mantega ouviu críticas da oposição, enfrentou alfinetadas dos governistas, além de uns poucos afagos. A intervenção do deputado Alberto Goldman (PSDB-SP) - que afirmou ''Isso é desonestidade intelectual'' -, no entanto, deixou o ministro desconcertado.

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