Enquanto líderes históricos do PMDB defendem abertamente o afastamento do presidente da Câmara Federal, o peemedebista Eduardo Cunha, os deputados federais de Londrina falam em cautela e em evitar julgamento precipitado, embora considerem a situação do país "gravíssima" e "muito preocupante". Cunha foi acusado em depoimento do delator da Lava Jato Julio Camargo à Justiça Federal de ter exigido propina de US$ 5 milhões em um contrato de navios-sonda da Petrobras. Em seguida, sem consultar a bancada, rompeu com o governo de Dilma Rousseff (PT).
O ex-senador Pedro Simon (PMDB-RS) acredita que o afastamento do correligionário da presidência da Câmara seria prudente em um momento de turbulência política e econômica, que vem sendo acentuado pelos recentes acontecimentos envolvendo o parlamentar. "A posição dele ficou muito delicada", disse o político gaúcho.
Segundo Simon, os desdobramentos da Operação Lava Jato e a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) com relação à aprovação ou reprovação das contas do governo federal em 2014 tendem a tornar o ambiente em Brasília ainda mais turbulento, mas caberá ao vice-presidente Michel Temer "acalmar o PMDB" e "fazer o entendimento geral".
Nos últimos dias, outros dois peemedebistas – o deputado federal Jarbas Vasconcelos, de Pernambuco, e o senador paranaense Roberto Requião – criticaram a decisão unilateral de Cunha e questionaram sua continuidade à frente da Câmara até o esclarecimento das acusações que pesam contra ele.
Os deputados de Londrina, no entanto, são mais cautelosos. O tucano Luiz Carlos Hauly considera a situação "gravíssima, como nunca antes vimos na história do Parlamento". "Ele vai ter que dar explicações. Uma coisa é a ‘briguinha’ com o governo; outra são os esclarecimentos sobre as acusações", comentou, porém, evitando posicionar-se sobre afastamento de Cunha. Ressaltou que, em sua opinião, "se trata de um problema sistêmico, que envolve também a presidente e os ministros". "Todos precisam dar explicações."
Marcelo Belinati (PP) também considera os eventos envolvendo Cunha e o governo de Dilma "ruins para o país" e que "tudo deve ser investigado a fundo". Porém, não defende o afastamento imediato do presidente da Câmara. "Conhecemos as denúncias somente pela imprensa. Temos que aguardar provas concretas. Há muito denuncismo e não podemos atropelar o processo."
Alex Canziani (PTB) também não se posicionou quanto ao afastamento de Cunha. "A bancada (petebista) ainda não se reuniu para deliberar sobre isso." O deputado também acredita que é preciso provas. "O assunto é muito delicado, preocupante. É preciso serenidade e equilíbrio neste momento difícil para o país." (Com Agência Estado)

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