Deputados federais do PR trocam de partido
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sexta-feira, 31 de janeiro de 2003
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba Pelo menos dois deputados da bancada federal do Paraná já mudaram de partido depois das eleições de 6 de outubro. Na tarde de ontem, o deputado federal Alex Canziani, reeleito em 6 de outubro pelo PSDB, oficializou a troca e assinou ficha no PTB de José Carlos Martinez. O deputado federal eleito Hidekazu Takayama, que assume o primeiro mandato em Brasília nos próximos dias, trocou recentemente o PTB pelo PSB.
A mudança de Canziani passa pela disputa pela Prefeitura de Londrina em 2004. O deputado tem interesse em administrar a segunda maior cidade do Estado. Já a troca de Takayama faz parte dos planos do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PSB), que está de olho nas eleições presidenciais de 2006. A bancada do PSB na Câmara subiu de 22 para 30 deputados.
Além de Canziani e Takayama, o deputado federal Odílio Balbinoti planeja sair do PSDB, e analisa quatro outras legendas. A decisão deve ser tomada hoje. Há cerca de seis anos no PSDB, o ex-pedetista Balbinoti justifica a mudança dizendo que, como seu partido migra para a oposição, ele vai ficar na base governista. ''Eu já fui do PDT e o Leonel Brizola me engessou. Quero ter liberdade'', declarou. Chico da Princesa, também federal, é o terceiro tucano que deve trocar de legenda, possivelmente indo para o PL, segundo informações de seu gabinete.
A pressa dos deputados de mudar de partido antes da posse, neste dia 1º de fevereiro, se deve mais à pressão das direções das legendas. Isso porque o tempo destinado a cada partido no horário gratuito em rádio e televisão para as eleições de 2004 quando os eleitores escolhem novos prefeitos e vereadores será calculado com base no tamanho das bancadas que tomam posse agora. Para quem será candidato em 2004, o prazo para mudar de partido é um ano antes da eleição. Ou seja, eles teriam mais oito meses para pensar.
Enquanto alguns partidos ganham, outros perdem. Nas direções de algumas legendas o desconforto já está instalado. O PFL se adiantou na tentativa de barrar o êxodo. A cúpula nacional, comandada pelo senador Jorge Bornhausen (SC), ameaça entrar com ações indenizatórias contra os parlamentares que deixarem a sigla.
Apesar da mudança de um governo neoliberal como o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para uma gestão mais voltada para o social, como promete Lula, o perfil da Câmara Federal deve continuar conservador. Levantamento realizado pela Folha em outubro, com base na atuação dos parlamentares eleitos independentemente do partido e objeto de matéria, revelou que o predomínio será da direita.
A bancada de esquerda na Câmara saltou de cinco para nove deputados. Dentre os novos eleitos, 21 dos 30 deputados federais identificam-se ideologicamente com as idéias de direita, contra 25 da bancada que encerra seu mandato agora.


