Deputados federais do PR demitem parentes
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sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Karla Losse Mendes<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O número de demissões de funcionários comissionados na Câmara Federal aumentou desde que foi anunciada a edição pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da súmula vinculante número 13, que proibiu a contratação e manutenção de parentes sem concurso público nos Três Poderes. Do dia 25 de agosto até o dia 5 de setembro, data da última atualização de um relatório sobre as exonerações elaborado pela assessoria da Câmara Federal, foram demitidas 204 pessoas que exerciam cargos comissionados, boa parte delas, parentes dos deputados federais.
Um exemplo dessas demissões, entre os deputados federais paranaenses, é o caso do deputado Airton Roveda (PR). No dia 25 de agosto, logo depois que a edição da súmula foi anunciada, ele demitiu as duas filhas que mantinha em seu gabinete. Izabelle Roveda e Gabrielle Angélica Roveda eram assessoras parlamentares do deputado. Odílio Balbinotti (PMDB) também foi obrigado a demitir os cunhados Miriam Lani Paiola Miguel e Luiz Paiola, que estavam lotados em seu gabinete.
A proibição do chamado nepotismo cruzado, onde uma autoridade emprega seus parentes no gabinete de outra, também começou a dar frutos. O deputado Dilceu Sperafico (PP) demitiu sua assessora, Isaura da Silva Meurer, cunhada do deputado Nelson Meurer (PP). O próprio Nelson também precisou demitir outra cunhada que estava lotada em seu gabinete, Noemi Rover Meurer.
Já o deputado Luiz Carlos Setim (DEM) aguardou a análise do assunto pela Câmara, para depois seguir a determinação. De acordo com a assessoria de imprensa do deputado, ele já pediu a exoneração da mulher, Neide Setim - que exerce o cargo de assessora parlamentar - e aguarda apenas a publicação para oficializar o fato.
Eduardo Sciarra (DEM) escapou de ter que demitir a cunhada da mulher, Jaqueline de Godoy, funcionária de seu gabinete. A exoneração não é obrigatória porque a súmula prevê a demissão de parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau, o que não inclui primos e concunhados, por exemplo. O deputado, no entanto, diz concordar com o texto da súmula. Ele considera que a medida foi necessária para corrigir distorções e coibir abusos. O deputado nega que tenha qualquer outro parente em cargo comissionado no poder público.


