Deputados fazem muito barulho por nada
Curitiba A Assembléia Legislativa do Paraná tem em seu currículo investigações que morreram na casca. Um exemplo recente é a Comissão Especial de Inquérito (CEI) comissão de caráter investigativo com menos poderes que uma CPI criada para investigar um esquema de desvio de dinheiro na Prefeitura de Maringá.
Empolgados com a prisão do ex-secretário municipal de Fazenda Luiz Antônio Paolicchi, em dezembro de 2000, um grupo de deputados resolveu acompanhar as investigações do caso, já tocadas pelo Ministério Público. A CEI nunca apresentou resultados concretos.
Uma das CPIs mais famosas da história da Assembléia do Paraná é a da Telefonia, que investigava denúncias de escutas clandestinas no Palácio Iguaçu. A CPI dos Grampos foi suspensa pelo Tribunal de Justiça (TJ) e não pôde concluir as apurações. O TJ entendeu haver desvio de finalidade na CPI, montada originalmente para apurar supostas cobranças indevidas por parte das operadoras de telefonia.
O abandono de algumas investigações pode ser explicado pelo fato de que certas CPI são motivadas por questões políticas, por vezes instigadas pelo Poder Executivo. Na prática, CPIs governistas podem ser abertas como estratégia para neutralizar a oposição. Um exemplo disso foi a criação, há dois anos, de cinco CPIs propostas pelos aliados do ex-governador Jaime Lerner, para barrar as propostas da oposição: Jogos Mundiais da Natureza e Pedágio.
Na época, os aliados de Lerner abriram, a toque de caixa, cinco CPIs para apurar temas diversos, como os acidentes envolvendo a empresa América Latina Logística (ALL), que opera na malha ferroviária do Estado, e a poluição no Rio Iguaçu. Esses temas foram chamados de ''laranjas'' pela oposição, que hoje é situação.(M.D.)





