Deputados fazem 35 trocas de partido
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
A dança de cadeiras na Câmara envolveu 35 trocas de partidos, dois dias após a posse no Congresso. Nesse movimento, o partido que perdeu mais membros até agora foi o PSDB. Nesses primeiros dias de nova legislatura, o saldo tucano contabiliza um deputado mudando-se para o PFL e outros quatro para o PMDB. Em contrapartida, o PMDB foi o que mais ganhou, acrescentando 14 membros à bancada de 82 deputados.
Até o fim da tarde de ontem as bancadas estavam assim compostas: PMDB 96 deputados; PFL, 112 parlamentares - continua sendo a maior bancada; PSDB, 93; PT, 60; PPB, 52; PTB, 28, e PDT, 24. Mas a movimentação continuou acontecendo, registrando até mesmo casos de trocas duplas. O deputado carioca João Mendes, por exemplo, deixou o PMDB e foi para o PPB ontem. No mesmo dia, entretanto, reviu a decisão e voltou para o PMDB.
O troca-troca foi justificado com as mais diversas explicações dos deputados mas, burocraticamente, não há nenhuma dificuldade em formalizar tal mudança. O esforço do parlamentar para mudar de partido é mínimo: precisa apenas enviar um ofício à Secretaria-Geral da Mesa, oficializando a transferência e comunicar ao partido que está saindo. Essas facilidades contudo, poderão ser eliminadas se for aprovada a emenda constitucional que institui a fidelidade partidária.
Sou a favor da fidelidade, mas, enquanto não existe a lei, não há porque continuar num partido onde você não se sente seguro, justificou o deputado paranaense Airton Roveda, que migrou do PDT para o PFL ontem. Segundo ele, a razão para a mudança é que o suplente, do mesmo partido, queria seu lugar.
Acho que o Brasil tem de ser passado a limpo e as reformas são urgentes, mas não significa que tenha virado totalmente governista, contou Roveda. Esse é o terceiro partido da sua carreira. O Paraná tem dois deputados federais que mudaram de sigla. O outro é Alex Canziansi, que deixou o PTB e ingressou no PFL.
O deputado mineiro Hélio Costa trocou o PFL pelo PMDB. Segundo ele, o presidente do PFL e senador Jorge Bornhausen (SC), sabia que ele iria fazer a troca. Deixei claro que sairia por conta de uma traição do partido em Minas, que descartou minha candidatura ao Senado e me deixou com uma campanha para a Câmara a apenas 40 dias das eleições, explicou.
Costa começou a carreira política no PMDB, foi para o PRN e, depois, fundou o PP em Minas. Considero isso uma volta para as origens e para dar total apoio ao governo peemedebista de Itamar Franco, afirmou Costa, que afirma ser favorável à fidelidade partidária. Mas a ética do parlamentar em não mudar de partido tem de valer para o partido, de manter suas decisões de convenção. O Prona perdeu para outro pequeno partido, o PST, o único parlamentar eleito nessa legislatura, o deputado paulista De Velasco, ligado à Igreja Universal.


