Curitiba - Mesmo sem o advento da comissão geral, extinto em março deste ano, após a ocupação do prédio da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná por professores e outros servidores, os deputados estaduais encontraram um meio de acelerar votações pendentes antes do recesso parlamentar. A previsão é que as atividades na Casa se estendam até amanhã à noite e só retornem em fevereiro de 2016. Assim, uma série de mensagens, a maioria encaminhada neste mês pelo próprio governador Beto Richa (PSDB), entrou em pauta no "afogadilho".
Ontem, após a análise da ordem do dia, que já contava com 23 projetos de lei, o presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB), autorizou a realização de duas sessões extraordinárias - uma com 27 itens e outra com 14. Como o chamado "tratoraço", artifício por meio do qual os pareceres técnicos eram dados em plenário, sem avaliação prévia das comissões temáticas, não é mais permitido regimentalmente, houve primeiro uma reunião extra da comissão de finanças e, só então, as votações. Os funcionários da Casa sequer tiveram tempo de imprimir os conteúdos dos PLs a todos os membros da AL presentes ou de disponibilizá-los no site do parlamento. Os trabalhos acabaram perto das 22 horas.
"Alguns parlamentares estão fazendo pedidos de vista, existem prazos legais e sem que esses prazos sejam vencidos não temos como incluir na pauta. Mas acredito que da forma como as coisas estão se encaminhando nós teremos sessões aqui até quinta-feira no final da tarde", justificou Traiano. Ao pedir a colaboração dos colegas, ele garantiu, por outro lado, que não haverá novos envios de proposições por parte do Palácio Iguaçu. "A Mesa Executiva assume esse compromisso", disse.
Para o líder da oposição, Tadeu Veneri (PT), a situação não é muito diferente da registrada nos anos anteriores, quando a comissão geral ainda era "regra". "Na verdade, com o regime de urgência, é muito semelhante, porque permite que o governo mande seus projetos na última hora e, por maioria ampla que tem, vote." O petista lembrou que o próprio líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), admitiu ter "deixado passar" uma matéria de autoria do deputado Péricles de Mello (PT) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), por conta da correria.

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