Deputados estaduais entram em recesso e só retornam em agosto
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quarta-feira, 12 de julho de 2017
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - A Assembleia Legislativa (AL) do Paraná realizou nessa quarta-feira (12) suas duas últimas sessões ordinárias do semestre (a da segunda-feira que vem foi antecipada). Agora, os 54 deputados estaduais só retornam ao trabalho no dia 1º de agosto. Ao contrário dos dois anos anteriores, quando houve tensão com a aprovação da reforma da previdência e, depois, da suspensão da data-base dos servidores públicos estaduais, por tempo indeterminado, o clima nos primeiros seis meses de 2017 foi de tranquilidade. A principal polêmica se deu com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2018, referendada novamente sem previsão de reajuste ao funcionalismo. O texto já seguiu para sanção do governador Beto Richa (PSDB).
"A Assembleia deu sua contribuição, as mensagens governamentais que aqui vieram foram amplamente discutidas, e a LDO, que é o principal projeto encaminhado, foi votada sem algumas alterações, porque não se encontrou número suficiente de assinaturas de deputados para propor emenda em plenário. Então, ela foi votada de acordo com aquilo que o governo encaminhou", disse o presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB).
"A Assembleia hoje, graças a Deus, está vivendo um momento de pacificação total. O que fizemos no passado, no início do período legislativo, foi suficiente para corrigir as ações do governo, ajustes que haviam sido necessários para a economia. Isso também deu paz à própria Assembleia, porque aqui é a caixa de ressonância da sociedade. Toda e qualquer indignação vem para dentro do Parlamento estadual", prosseguiu.
O tucano contou que espera um segundo semestre de muitos debates em plenário. "Serão temas palpitantes. Por exemplo: a questão da [redução da] escarpa devoniana [formação geológica que divide o Primeiro do Segundo Planalto Paranaense] vai tomar a atenção. É algo que vem sendo discutido amplamente. Ainda hoje pela manhã promovemos uma conversa no Palácio [Iguaçu, sede do governo estadual] com técnicos de governo que estão buscando fazer uma arrumação daquilo que já está aqui, com a opinião de outros técnicos, abalizados pela Secretaria de Meio Ambiente e pelo IAP [Instituto Ambiental do Paraná], mas que vai gerar uma discussão sim. E isso além daquilo que possa vir do governo, outras mensagens", comentou, sem entrar em detalhes.
"Foi de fato um primeiro semestre tranquilo. O debate aqui foi intenso, nós votamos matérias importantes, principalmente aquelas enviadas pelo Poder Executivo, e ao mesmo tempo creio eu que a gente conclui com a votação da LDO esse processo todo. Mas o Paraná, diferente do que acontece em Brasília, que está um caos, tem as questões muito mais equilibradas. Temos equilíbrio financeiro e fiscal, estamos conseguindo fazer investimentos, e isso tem um valor muito importante para a sociedade paranaense", afirmou o líder da situação, Luiz Cláudio Romanelli (PSB). Ele descartou o envio de um novo "pacotaço fiscal" no próximo mês. "O governo não terá nenhum pacote, como muitos especulam. Claro que nós temos que ir fazendo as adequações necessárias. Votaremos matérias importantes, questões fundamentais, estruturantes para o Paraná no futuro", despistou.
"ROLO COMPRESSOR"
Para o líder do PMDB, Nereu Moura, um dos sete oposicionistas da AL, poucos projetos foram aprovados até agora. "O trabalho poderia ser melhor. A Assembleia funciona como um apêndice do Poder Executivo. As iniciativas mais importantes analisadas aqui foram de autoria do Executivo e, normalmente, para retirar dinheiro do funcionalismo, aumentar impostos, vender a Copel [Companhia Paranaense de Energia] ou a Sanepar [Companhia de Saneamento do Paraná]. Fizemos o bom combate, mas somos uma minoria bem minoria. É difícil combater o rolo compressor do governo, que é poderoso. De qualquer forma, lutamos em defesa dos interesses do povo do Paraná e, a partir de agosto, vamos estar reforçados com a perspectiva de aproximação da eleição [de 2018]. Esse é o fato que vai jogar favoravelmente ao nosso lado", opinou.


