Os 24 deputados estaduais do Acre podem entrar hoje em greve, por tempo indeterminado, ou encerrar os trabalhos legislativos do ano. O motivo é a falta de repasse pelo governo de R$ 3,5 milhões para o pagamento dos 500 funcionários dos gabinetes, que estão com os salários atrasados três meses.
Qualquer que seja a decisão dos parlamentares, ela será inédita nos 36 anos de história do Legislativo do Acre. As duas propostas foram levadas para a sessão de ontem da Assembléia - que poderá ser a última do ano - por vários deputados de oposição, mas ganhou adesão até mesmo da ala governista.
No início da semana, estava programada uma reunião com o governador Orleir Cameli (PFL), o que acabou não acontecendo. ‘‘Estamos sem poder trabalhar porque nosso pessoal já está passando necessidades’’, afirma o deputado Edvaldo Magalhães (PC do B). ‘‘Muitos colegas utilizam seus gabinetes só para empregar pessoas, mas muitos utilizam os recursos para pagar assessores que realmente trabalham’’, acrescenta Magalhães.
Conhecida por ter sido destruída por um incêndio ocorrido uma semana antes da morte do governador Edmundo Pinto, em 1991, a Assembléia Legislativa do Acre nunca ficou parada por nenhum motivo, a não ser o recesso parlamentar. ‘‘Agora, infelizmente, vamos ter de fazer isso caso o governo não resolva repassar os recursos dos gabinetes’’, afirma Magalhães. O governo liberou dinheiro para pagar os deputados, telefone, correio e outros benefícios, mas deixou de fora os funcionários dos gabinetes. ‘‘Tem gente que foi despejada de casa porque não paga o aluguel’’, observa Magalhães.
Um dos que incentivam a paralisação total do Legislativo é o próprio presidente da Assembléia, deputado Álvaro Romero (PFL). Ele admite que, além dos funcionários de gabinete, todos os demais servidores podem acompanhar a greve. Na Assembléia, também há informações - não-confirmadas pelos parlamentares - de que a maior parte do recursos destinados pelo governo aos gabinetes ficou com os deputados.
Cameli alega não ter dinheiro em caixa para repassar ao Legislativo, que ainda espera receber R$ 1 milhão de 1997. Este ano, os valores chegam a R$ 3,5 milhões, referentes a janeiro, junho e julho. ‘‘Isso mostra a falta de independência do Poder Legislativo no Acre’’, lamenta Magalhães.

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