Deputados estaduais criticam ataque à sede do PMDB no PR
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de setembro de 2016
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba Deputados estaduais criticaram ontem o apedrejamento do diretório do PMDB no Paraná, em Curitiba, ocorrido já no final do protesto do último domingo contra o presidente Michel Temer (PMDB-SP). Apesar de a manifestação ter iniciado de forma pacífica, na Praça 19 de Dezembro, no centro, terminou com depredações na região da Avenida Vicente Machado, onde fica a sede do partido. Jovens com os rostos cobertos também atiraram pedras no prédio do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em uma agência do banco Itaú e no Bar +55.
Líder da oposição na Assembleia Legislativa (AL), Requião Filho (PMDB) disse que considera a indignação legítima, entretanto, sem "direcionamento" certo. Segundo ele, não havia ninguém no imóvel e todos os carros atingidos eram de pessoas de fora da legenda. "[Os manifestantes] se colocam contra tudo e contra todos, e esse tipo de revolta, de energia despendida sem um objetivo, se dissipa sozinho. Infelizmente, algo que poderia se transformar num movimento pela democracia, exigindo novas eleições, vai acabar em negativas vazias", opinou.
Para o peemedebista, os grupos que saíram às ruas têm sim por que ser contra Temer. "O governo se afasta do social, da educação pública, da saúde, da regularização fundiária e da construção de casas para pessoas que não têm onde morar, enquanto se preocupa com juros, bancos e mercado", disparou. Durante a sessão, o líder do governo Beto Richa (PSDB) na AL, Luiz Cláudio Romanelli (PSB), foi outro a alfinetar o presidente. "Não ouvi nenhuma liderança do PMDB pedir para reduzir os juros, estimular o crédito e fazer a economia do País andar. Só ouvi dizer que vai cortar direitos dos trabalhadores, aumentar idade de aposentadoria e fazer reforma trabalhista."
PT X PSDB
Já o chefe do parlamento, Ademar Traiano (PSDB), que preside também o PSDB estadual, atribuiu o episódio a um "movimento que age de forma sorrateira". "A decisão que ocorreu em Brasília [impeachment de Dilma Rousseff] é amparada em princípios constitucionais. Portanto, não se trata de golpe. Lamentavelmente, esses setores partidários que historicamente estavam comandando o Brasil não se dão por satisfeitos. Acabam fazendo arruaças como essas. É uma verdadeira vergonha e, na minha avaliação, precisam ser punidos."
O petista Tadeu Veneri, por sua vez, lembrou que representantes de diferentes partidos e segmentos sociais participaram do ato. "As pessoas não têm o direito de cometer vandalismo ou violência. Em toda manifestação há meia duzia que extrapola e cria constrangimento. Tanto que vão sem identificação nenhuma. Mas estamos falando de cinco mil pessoas numa manifestação em que 20 resolvem fazer atos de vandalismo isoladamente, depois que as coisas tinham terminado", destacou.


