Curitiba - Os doleiros que participaram da evasão de recursos do Brasil para o exterior podem ser peças-chave para o esclarecimento da origem e do destino dos recursos ilícitos que teriam sido utilizados na formação de um caixa 2 para campanhas eleitorais do PT em vários pontos do País. A opinião é compartilhada pelos deputados federais Osmar Serraglio (PMDB-PR) e Gustavo Fruet (PSDB-PR), relator e sub-relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios.
O doleiro Antônio Oliveira Claramunt, conhecido como Toninho da Barcelona, é apenas um dos que podem auxiliar nas investigações com provas testemunhais e documentais. Serraglio quer fazer um apelo para que a Justiça Federal estude formas de auxiliar o doleiro com a delação premiada recurso legal que reduz penas de investigados que auxiliam a desvendar quadrilhas e métodos de atuação dos criminosos. Entretanto, Barcelona já é condenado há 25 anos de prisão o que tem atrapalhado nas negociações. ''Tenho certeza que ele pode revelar muito para a CPMI. Até porque ele era um especialista em crimes do sistema financeiro. Cerca de 70% a 80% do que se fez irregularmente no País foi através do Banco Rural ou das agências irmãs deste banco'', disse o relator. Uma das agências do Banco Rural usadas para lavagem de dinheiro no Exterior seria a Trade Link Bank com sede nas Ilhas Cayman.
Barcelona esteve na semana passada em Curitiba, para um depoimento que durou cerca de quatro horas. Os procuradores do Ministério Público (MP) federal disseram que o depoimento pouco contribuiu para as investigações realizadas até agora. O doleiro sugeriu que trabalhou com a remessa de dólares para o exterior a pedido do PT. Não apresentou provas em busca de um acordo, que ainda não aconteceu. Fruet lembrou que Barcelona apenas confirmou o que já havia sido dito pelo publicitário Duda Mendonça que teria confirmado inclusive o uso de offshore (empresas especializadas em remessas de dólares em paraísos fiscais) por campanhas petistas.
Outros três doleiros estariam na mira dos parlamentares da CPMI: Haroldo Bicalho, Jader Kalil e Alberto Youssef. Youssef mora atualmente em Londrina e foi condenado há sete anos de prisão depois de colaborar com as investigações da Justiça Federal, explicando o esquema de corrupção e citando os nomes de políticos e empresários supostamente ligados ao esquema de lavagem de dinheiro através de contas de laranjas. Cerca de 657 depositantes em contas de Youssef entre pessoas físicas e jurídicas estão sendo investigados. As operações somaram cerca de R$ 383,4 milhões entre 1996 e 1999.
''Não pretendemos que eles deponham na CPMI para não causar alarde. Eles deverão depor a exemplo de Toninho Barcelona para o Ministério Público (MP) federal. Assim, evitamos as luzes e os holofotes para a CPMI e não nos desgastamos em pedir que o depoimento seja sigiloso. O trabalho tem que ser conjunto para que tenhamos o sucesso esperado'', ponderou o parlamentar. Youssef é colaborador da Justiça. Entretanto, o advogado dele se recusou a submetê-lo a parlamentares no Paraná na CPI do Banestado, argumentando que não queria que o depoimento dele tivesse conotação política.

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