Deputados enviam a Beto nova proposta de reajuste
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segunda-feira, 01 de junho de 2015
Mariana Franco Ramos<br> Reportagem Local 
Curitiba O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), deve formalizar hoje uma nova proposta de reajuste do funcionalismo, repondo a inflação ainda em 2015, embora de forma parcelada. Na tentativa de encontrar uma saída ao empasse com os professores da rede estadual, cuja greve completou 37 dias, deputados da oposição sugeriram ao Executivo conceder 3,45% de acréscimo em outubro e mais 4,56% até dezembro, o que totalizaria os 8,17% medidos pelo IPCA. A data-base de 2016 seria mantida em 1º de maio, como exige o Fórum das Entidades Sindicais (FES).
Após uma reunião com o FES, na Assembleia Legislativa (AL), os parlamentares levaram a fórmula ao líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), que aceitou intermediar as negociações. Segundo o peemedebista, o projeto atualizado representaria um impacto adicional ao orçamento de quase R$ 1 bilhão, motivo pelo qual seria necessário obter o aval da Secretaria da Fazenda (Sefa). "Temos de analisar a capacidade de pagamento. O Estado está em uma situação financeira difícil. Não assumiremos um compromisso sem saber se vamos cumpri-lo", afirmou. Até o fechamento desta edição, ele ainda não tinha obtido um retorno do Palácio Iguaçu.
O FES reivindica ainda que, caso haja perda de massa salarial por conta do parcelamento, os funcionários sejam compensados com um abono. Outro pedido é para que a gestão tucana retire o artigo sexto da primeira versão da mensagem, que trata do Quatro Único de Pessoal da carreira docente. "É uma afronta, porque mexe com a tabela do magistério. Já tínhamos vencido (esse ponto) na greve de fevereiro", argumentou a professora Marlei Fernandes, secretária de finanças da APP-Sindicato e coordenadora do FES. No primeiro texto, encaminhado na semana passada à AL, o Executivo propunha 3,45% de correção, em três parcelas. O restante da inflação dos últimos 12 meses só seria quitado em janeiro do próximo ano.
Marlei lembrou que a APP tem um indicativo de assembleia para o dia 9 de junho. Nesta data, dependendo das conversas, é possível que se vote pelo fim da paralisação. Além do aumento, a entidade quer assegurar que os grevistas não sejam punidos com descontos de salários, como anunciou o governo. Ontem, educadores voltaram a lotar as galerias da AL, como forma de pressionar os deputados. Quem não conseguiu entrar no plenário acabou acompanhando a sessão por uma televisão, colocada no acampamento em frente ao prédio. A sindicalista disse que a adesão ao movimento seguia em 80%. A administração, porém, informou que 85% das 2,1 mil escolas estavam funcionando.
O presidente da AL, Ademar Traiano (PSDB), garantiu que não colocará nenhum projeto em votação, nem mesmo dentro das comissões temáticas da Casa, até que haja um consenso com o conjunto de servidores e a bancada de oposição. O mesmo, completou, vale para os funcionários do Tribunal de Justiça (TJ) e do Ministério Público (MP), que já conseguiram acordar com os respectivos órgãos o acréscimo de 8,17%.


