Curitiba - Após uma visita ao Instituto de Criminalística na manhã de ontem, dois deputados estaduais membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Espionagem deram declarações contraditórias sobre o resultado da perícia dos aparelhos encontrados no prédio Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. Para o presidente da comissão, Marcelo Rangel (PPS), as informações dos peritos confirmaram a existência de grampos. Já o vice-presidente, Fernando Scanavaca (PDT), afirmou que os técnicos disseram se tratar apenas de bloqueadores de celulares.
Na opinião do pedetista, a CPI perdeu o seu objeto principal. ''Está praticamente provado que não existiam grampos. Eram dois bloqueadores e um circuito tão rudimentar que nem gravava.'' Scanavaca defende, no entanto, que os trabalhos de investigação continuem a fim de descobrir a origem e quem instalou os bloqueadores em salas da administração do Legislativo.
''O perito nos mostrou um equipamento que não servia para outra coisa senão grampear telefonemas. Existiam também os bloqueadores, mas que não funcionaram quando eu utilizei o meu celular dentro da sala da perícia'', rebateu Rangel, autor da proposta que criou a CPI. Os peritos ainda demonstraram um aparelho que emitia uma onda sonora para afastar cães. O laudo da perícia deve ser entregue até sexta-feira. Segundo ele, nenhum dos equipamentos correspondem aos licitados pela administração da AL.
A CPI deve ouvir hoje o proprietário da empresa que vendeu os aparelhos para a AL, além do funcionário que solicitou a compra e o diretor que autorizou.

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