Deputados elegem Aécio Neves presidente
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2001
Luiza Damé e Denise Madueño Agência Folha De Brasília 
O deputado tucano Aécio Neves (MG), 40 anos, foi eleito ontem presidente da Câmara, derrotando o candidato do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), em primeiro turno de votação. Aécio teve 283 votos. Traições no próprio PFL contribuíram para a vitória folgada de Aécio. Inocêncio esperava ter 220 votos e chegar ao segundo turno, mas recebeu apenas 117 votos.
Perdemos. Tivemos menos votos do que a projeção. Hoje (ontem) foi o dia nacional das traições, lamentou o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA). Pela primeira vez, desde a fundação do partido, em junho de 1988, o PSDB chegou à presidência da Câmara, acabando com o revezamento entre o PMDB e o PFL.
O candidato dos partidos de oposição (PT, PDT, PC do B e PV), Aloizio Mercadante (PT-SP), teve 81 votos. O candidato Nelson Marquezelli (PTB-SP), que disputou sem apoio partidário, recebeu 3 votos. O candidato do PL, Valdemar Costa Neto (SP), recebeu 21 votos. Foram 2 votos em branco e 5 nulos. Até o fechamento desta edição, a Câmara ainda estava apurando os votos dos demais cargos da Mesa, com Aécio presidindo a sessão.
Dos 513 deputados, apenas a deputada Ester Grossi (PT-RS) não compareceu à sessão. Ela está em missão oficial na Tailândia tratando de parcerias na área de educação.
O resultado confirmou o favoritismo do tucano. No início da sessão, a reação do plenário aos discursos dos candidatos também indicava a vitória de Aécio sobre seu principal adversário, Inocêncio Oliveira. O discurso de Aécio foi aplaudido efusivamente pela grande maioria dos presentes que lotavam o plenário. Inocêncio fez um discurso, em tom de despedida, que não entusiasmou. O plenário estava esvaziado. Os outros três candidatos não empolgaram os deputados nos discursos. Marquezelli foi obrigado a pedir silêncio.
O PFL chegou ao plenário abalado por dissidências de aliados. O governador Neudo Campos (PPB-RR), por exemplo, declarou o apoio a Aécio e deveria garantir sete dos oito votos do Estado ao tucano.
A busca dos partidos era por cada voto. O PSDB pressionou e o PMDB mandou de volta para a Câmara o deputado Tadeu Filippelli (DF), secretário de Obras do governador Joaquim Roriz (PMDB). Com isso, o suplente Alberto Fraga (PMDB-DF), que votaria em Inocêncio, ficou sem a vaga. Os tucanos contavam com as traições de parlamentares de outros partidos, principalmente do PFL, para vencer no primeiro turno.
Entre os traidores estariam deputados pefelistas de Pernambuco, insatisfeitos com a atuação de Inocêncio nas eleições passadas. Inocêncio teria aumentado sua base eleitoral elegendo prefeitos em municípios controlados por esses parlamentares. Deputados do PFL do Estado negam a dissidência.
A bancada do PL ligada ao Bispo Rodrigues teria tentado negociar o apoio ao tucano, para abandonar o candidato oficial do partido, Valdemar Costa Neto, mas não teve sucesso. Com a promessa de 11 a 15 votos, a bancada ligada a Igreja Universal teria pedido apoio de Aécio para pontos da reforma política que favorecessem os evangélicos, ajuda para a TV Record, além de outros pedidos para atender um ou outro deputado do partido em liberação de verbas e espaço político na Câmara. Mentira. Desde o início eu falo que voto no presidente do meu partido e no Inocêncio no segundo turno. Estão dizendo isso porque sabem que eu não votarei no Aécio, afirmou Bispo Rodrigues.
O novo presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves da Cunha, começou sua carreira política como assessor de Tancredo Neves (1910-1985), seu avô. Inicialmente, foi secretário de Tancredo na Câmara, de 77 a 81. Em seguida, foi seu secretário no governo de Minas até 84, quando se formou em Economia pela PUC de Belo Horizonte cidade onde nasceu. Em 85, tornou-se secretário particular de Assuntos Especiais da Presidência. Com a doença e morte do avô, o presidente José Sarney o nomeou diretor de Loterias da Caixa Econômica Federal em 85. Aécio ficou no cargo até 86, quando foi eleito deputado federal pelo PMDB. Em 92, disputou a Prefeitura de Belo Horizonte pelo PSDB, mas perdeu para Patrus Ananias (PT).


