Deputados de oposição e poli ciais militares se enfrentaram on tem, quando estes queriam entrar na As sembléia Legis lativa pelo por tão principal para iniciar a segunda tentativa de votação do projeto que impede a privatização da Copel. Segundo o coronel Aramis Linhares Serpa, comandante de Policiamento da Capital chefe da operação que cercou o prédio , havia um acordo com os parlamentares para que eles entrassem pelos portões laterais e pela garagem.
O confronto deixou pelo menos um ferido leve: a deputada Luciana Rafagnin (PT) acabou machucando a mão esquerda. Ela disse que foi tentar puxar o colega José Maria Ferreira (PSDB) para dentro do pátio e sofreu ferimentos por causa do posicionamento na barreira policial. ''Não fui apenas eu que fiquei ferida. Eu só tentei ajudar um parlamentar a entrar e votar'', afirmou Luciana, com a mão enfaixada. Neivo Beraldin (PSDB) e Ferreira também afirmaram terem sido agredidos.
Beraldin teria dado um tapa no rosto de um policial. Ferreira furou a barreira e tentou derrubar o portão. Marcos Isfer (PPS), Ângelo Vanhoni (PT) e Algaci Túlio (PTB) discutiram com Serpa. O coronel chegou a ameaçar prender Isfer, por causa da postura agressiva que ele teria tido ao ser barrado pelos militares. ''Não sei quem deu ordem para o coronel barrar e agredir deputados'', gritou Isfer.
Algaci criticou a presença de PMs armados e com cães dentro do prédio. ''A Assembléia não é dos deputados, mas um quartel da PM, onde quem manda é o coronel Serpa'', atacou. Por ordem do presidente, Hermas Brandão (PTB), todos os funcionários da Assembléia foram dispensados ontem e, pela manhã, os parlamentares não podiam entrar em seus gabinetes.
Caíto Quintana (PMDB) comparou a presença policial na Casa aos anos da ditadura militar. ''(Naquele período) as coisas começaram assim. Daqui a pouco, o Poder Legislativo pode estar fechado'', disse. Ele considerou exagerado o esquema policial. ''Tem de tudo: fuzil, cachorro, metralhadora e cassetete.''
Setecentos e noventa policias e seis cães participaram do cerco à Assembléia. O número é maior do que os 600 homens que faziam a segurança das ruas de Curitiba naquele momento, mas inferior aos 1,2 mil usados para a retirada das mulheres de PMs que ocupavam o Quartel Geral da corporação, em Curitiba, em julho. De acordo com Serpa, foi Hermas Brandão quem pediu que a PM entrasse no prédio, para isolar os estudantes que ocupavam o plenário e impedir que eles invadissem outros espaços da Casa, além de garantir a segurança.

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