Curitiba - Os deputados estaduais retomaram as sessões plenárias ontem, na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, mas quem roubou a cena foi o presidente da seção paranaense da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), Fábio Aguayo. Descontente com três projetos que seriam analisados pelos parlamentares em plenário, a movimentação dele junto ao Legislativo tirou da pauta de ontem a medida que proibia a venda de bebidas alcoólicas em postos de gasolina e alterou a redação do projeto que regulamentava a cobrança de couverts em restaurantes.
Aguayo também criticou a norma que pede campanhas de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) nos banheiros de bares, restaurantes e casas noturnas. A movimentação do presidente da Abrabar foi criticada por parlamentares cujos projetos estiveram na mira da entidade. ''A Mesa Diretora me pediu um dia para que o projeto fosse analisado pelo setor e eu aceitei'', explicou o deputado estadual Edson Praczyk (PRB), autor da proposta que proíbe a venda de bebidas alcoólicas em postos de gasolina.
Defensor intransigente da medida, Praczyk cedeu o prazo de um dia, desde que o projeto fosse incluído na votação de hoje e analisado em primeiro turno. Contudo, uma emenda em plenário restringindo a proibição às bebidas frias pode ser apresentada, o que forçaria a iniciativa a retornar para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O deputado Bernardo Carli (PSDB) também acatou os pedidos de Aguayo, alterando a redação original da ''Lei do Couvert'' por meio de uma emenda. A norma originalmente proposta pedia ''descrição clara do preço e da composição do serviço'', abrangendo, na opinião do representante da Abrabar, shows de música e apresentações artísticas. Com a mudança, a lei seria aplicada somente a ''aperitivos sólidos e líquidos'', cuja descrição viria no cardápio dos estabelecimentos comerciais. Aprovada em primeiro turno, a matéria volta ao plenário hoje.
''As pessoas não precisam de um ''Estado-babá'', que crie dificuldades e não incentive quem movimenta a economia'', justificou-se Aguayo, que acompanhou pessoalmente as votações na AL. ''Muitas regras prejudicam o mercado, que devia se regular sozinho'', reclamou ele.
O deputado Gilberto Ribeiro (PSB), autor da medida que prevê cartazes nos banheiros de estabelecimentos comerciais, não aceitou as críticas ao seu projeto. ''A AIDS continua matando gente no mundo. Colaborar para reduzir esses índices é uma questão de cidadania. A campanha contra DSTs que eu estou propondo é educativa e educação é onde investem os países que são campeões nas Olimpíadas'', retrucou o político. A medida foi aprovada em primeira votação, mas há o receio de que também receba emenda em plenário.

mockup