Deputados do PT protestam contra chapão
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quarta-feira, 08 de outubro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
O chapão Roberto Requião (PMDB) - candidato a governador - o ex-prefeito de Londrina, Luiz Eduardo Cheida (PT) - como vice - e o presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB) - o nome para o Senado - costurado pela direção estadual do PT já começou a sofrer as primeiras resistências internas. Os deputados federais do Paraná que integram o bloco das oposições ao presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), no Congresso, enviaram nota oficial ontem proibindo acerto político no Estado com grupos que apóiam o governo federal, dentre os quais o governador Jaime Lerner (PFL) e o ex-governador Álvaro Dias.
A avaliação que se faz é que o comando estadual do PT está desrespeitando as decisões tomadas no encontro estadual do partido há cerca de 15 dias em Cascavel, quando deliberou-se o lançamento de candidatura própria ao governo nas eleições de 98. O estompim foi na última segunda-feira, quando o presidente Pedro Tonelli, acompanhado do vice Jorge Samek e do deputado estadual Ângelo Vanhoni, reuniram-se na casa do senador Roberto Requião (PMDB) para discutir a costura.
O manifesto foi assinado pelos deputados Nedson Michelletti Paulo Bernardo (PT), padre Roque Zimmermann (PT) e Ricardo Gomide (este do PCdoB), e dá conta das articulações nacionais do Bloco que tendem a se repetir nos estados. Individualmente, eles podem até assediar o Requião e o Álvaro, mas não é essa a vontade do PT. A impressão que se passa é de que estamos correndo atrás do ex-governador Álvaro Dias, reclama Michelletti, que não gostou das declarações manifestadas pelo ex-governador. O deputado afirma que vai defender no encontro do PT, no próximo dia 23 de novembro em Maringá, a definição do nome do candidato ao governo. Ele faz lobby para que Cheida assuma a candidatura.
A Folha tentou contato com o presidente do PT, Pedro Tonelli, mas não foi possível porque o dirigente estava em trânsito, vindo de Capanema para Curitiba. O vice-presidente estadual Jorge Samek diz que conversou com o dirigente nacional do PT Luiz Inácio Lula da Silva e que a costura não deve ser descartada. Para ele, o partido deve evoluir na tese de candidatura própria, mas ao mesmo tempo discutir a possibilidade do arranjo, que incluiu o presidente da Telepar.


