A segunda parcela de salário pela presença nas convocações extraordinárias do Congresso Nacional, durante o recesso de final de ano, deve parar no caixa de diversas entidades assistenciais do Paraná. Pelo menos é o que garantem parlamentares do Estado que se recusaram a devolver a verba R$ 12.847 à União, ouvidos ontem pela Folha.
Ao todo, no último dia 9 o Congresso gastou mais de R$ 5 milhões no pagamento da verba extra da Câmara Federal, enquanto ao Senado (R$ 12.720 cada parcela) foram destinados outros R$ 900 mil. A medida foi adotada por determinação do Tribunal Regional Federal (TRF), que derrubou uma liminar que impedia o repasse da segunda parcela da última convocação extraordinária. A primeira parcela da ajuda de custo foi paga em 30 de dezembro. A segunda deveria ter sido depositada no fim da convocação, mas a 17 Vara Federal de Brasília aceitou recurso do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) e concedeu a liminar que impedia o pagamento.
Dos 513 deputados deferais e dos 400 agraciados com o dinheiro, apenas 106 abriram mão do recurso, ainda em fevereiro, recusando-se a ficar com o extra (43 parlamentares, ao todo) ou comunicando que o doariam a instituições. Quem não marcou presença em pelo menos dois terços das sessões durante a convocação extraordinária também perdeu o direito ao benefício.
Entre os parlamentares paranaenses ouvidos pela Folha, apenas o petista Florisvaldo Fier, o Doutor Rosinha, deixou de requisitar a verba - conforme exige o estatuto do partido. Para o deputado, não adianta simplesmente utilizar a verba com fins filatrópicos. ''Provavelmente as entidades que recebem assumem compromisso eleitoral; não é doação, é garantir apoio nas próximas eleições'', criticou.
Adepto da doação, Alex Canziani (PTB) discorda do petista. Ele doou a primeira parcela do recurso para o Instituto do Câncer de Londrina e agora diz que vai destinar a segunda para a Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel). ''Não se trata de moeda de troca por apoio político, não há nem nunca houve esse compromisso'', garantiu.
Os tucanos Gustavo Fruet e Luiz Carlos Hauly também farão doações. Por meio de sua assessoria de imprensa, Fruet informou que a segunda parcela será doada à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Agudos do Sul, na região metropolitana de Curitiba.
''Tudo que entrou, doei. E várias entidades começaram a aparecer para pedir o agrado'', disse Hauly, que beneficiou entidades como a Casa do Bom Samaritano e a Toca de Assis. ''Se eu deixar essa verba para o Lula, é juro que os bancos ganham. A União já libera tão pouco para a região, acho que faço o que posso'', concluiu.

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