Curitiba - Mais da metade da bancada de deputados federais do Paraná 19 dos 30 parlamentares deve sofrer uma punição financeira em maio, por faltar às sessões deliberativas da semana passada, realizadas nos dias 19 e 20 de abril, véspera do feriado de Tiradentes (dia 21). A decisão de punir os deputados no bolso partiu do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT), fazendo valer o Regimento da Câmara.
Cunha decidiu cortar os vencimentos como punição aos deputados pelo descumprimento ao acordo para desobstruir a pauta de votações da Câmara, trancada por causa de medidas provisórias. Enquanto as MPs não são votadas, outros projetos não podem ir a plenário, conforme as regras da Casa. A oposição aproveitou a oportunidade. PSDB, PFL e PP decidiram obstruir a pauta, cobrando uma posição de Lula em torno do valor do salário mínimo.
A tesoura só vai poupar os deputados federais que justificarem a ausência. De acordo com informações do gabinete de João Paulo Cunha, os deputados têm até o início de maio para justificar as faltas.
Não terão descontos no contracheque aqueles que viajaram em missão oficial ou que apresentarem atestado médico. De acordo com a lista de presenças, fornecida à Folha pela Secretaria Geral da Mesa, apenas 14 dos 30 deputados participaram da sessão do dia 20 (terça-feira) portanto, outros 16 faltaram. E 11 estiveram presentes na sessão do dia 19 (segunda-feira), o que significa 19 faltas. Na segunda-feira, apenas 256 dos 513 deputados participaram da sessão. Na terça, 264 deputados estiveram presentes. A secretaria só fornece a lista dos presentes. Os que não fazem parte da relação, faltaram no entendimento da secretaria.
O valor dos descontos, de acordo com a Secretaria Geral, só será definido no final do mês, porque depende do número de sessões que serão realizadas até o final de abril. O salário dos deputados está fixado em R$ 12,8 mil. Desse total, uma parte é variável, e é calculada com base no número de sessões.
Apesar do corte nos vencimentos, os deputados federais não criticaram a postura de Cunha.
Na opinião do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB), o presidente da Câmara está correto em descontar os salários. ''É comum que isso aconteça, quando há faltas'', disse Hauly. O peemedebista Gustavo Fruet também frisou que a decisão de Cunha apenas cumpre o Regimento Interno na Câmara. Fruet comentou que a Câmara está parada, com a pauta trancada por causa das medidas provisórias. ''O governo não tem certeza da maioria, falta estratégia de ação'', avaliou. Dilceu Sperafico (PP) disse que Cunha tem o poder para tomar essa decisão. Cézar Silvestri (PPS) disse que Cunha está apenas cumprindo o Regimento. ''Sou favorável'', disse Silvestri.
Já Abelardo Lupion, do PFL, criticou o governo. ''Somos um partido de oposição, não concordamos com o rolo compressor. É muita medida provisória, este País está sendo governado por medidas provisórias'', reclamou Lupion, frisando que a bancada seguiu a decisão da liderança do partido e por isso não foi às sessões.

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