Curitiba - Quatorze deputados federais do Paraná emitiram 95 passagens aéreas para viagens ao exterior utilizando a cota da Câmara Federal desde o início do mandato em 2007. As despesas incluíram o pagamento de passagens para familiares e assessores, em muitos casos, por motivos particulares. O levantamento, divulgado ontem, foi realizado pelo site Congresso em Foco com base em registros fornecidos pelas companhias aéreas.
Entre os parlamentares paranaenses, o maior número de passagens, 17, foram emitidas em nome do deputado Dilceu Sperafico (PP). O deputado disse à reportagem da FOLHA que as passagens estariam de acordo com as normas da Câmara e foram emitidas para assessores e ''pessoas que prestaram serviços''. No entanto, ele disse que não autorizou a emissão de todas as passagens, mas que não seria possível investigar imediatamente o caso.
O deputado Cezar Silvestri (PPS) emitiu 16 passagens. As despesas incluem viagens do filho para Londres e Buenos Aires. Outras dez passagens ida e volta entre a cidade argentina e São Pualo também foram emitidas para cinco pessoas em 3 de junho de 2008.
Hidekazu Takayama (PSC) aparece com 14 passagens emitidas. Entre elas, duas duas viagens a Nova York e três para Miami feitas pelo próprio deputado, em quatro dessas ocasiões acompanhado pela esposa.
Os deputados Abelardo Lupion (DEM), Dr. Rosinha (PT), Odílio Balbinotti (PMDB) e Ricardo Barros (PP) emitiram seis passagens com destino ao exterior cada. Lupion explicou não haviam regras claras sobre o uso das passagens e que o entendimento geral era de que a cota seria ''incorporada'' ao salário.
Já Dr. Rosinha esclarece que as passagens dizem respeito a viagem a trabalho de um assessor a Buenos Aires. Já as passagens emitidas em nome da mulher do parlamentar, seriam referentes a milhagens e não teriam gerado despesas à Câmara.
Ricardo Barros afirma que as passagens - quatro emitidas em seu nome e duas em nome da mulher dele, a deputada estadual Cida Borguetti (PP) - dizem respeito a viagens oficiais, como presidente do grupo parlamentar Brasil-Itália e vice-presidente grupo Brasil-Reino Unido. Já a mulher do deputado cumpriria compromissos como presidente da Frente parlamentar Paraná-Itália. O deputado também alega que duas passagens seriam referentes à milhagens acumuladas.
O deputado Affonso Camargo emitiu cinco passagens, que incluem uma para uma ex-cunhada aos Estados Unidos para cuidar do filho do parlamentar e outra para a filha do deputado, que teria ido à Milão visitar o sogro que estava doente. ''Não havia regras para a utilização destas passagens e eu, de consciência, achei que devia facilitar essa viagem para elas'', disse. O deputado diz desconhecer a beneficiária de uma terceira passagem emitida em seu nome que também é beneficiária de passagens do deputado Fernando Fabinho (DEM-BA). ''Acho que é um equívoco. Eu posso garantir que eu nunca ouvi falar dela'', afirmou.
O deputado Alceni Guerra também acredita há um equívoco relacionado ao seu nome, onde consta emissão de passagens pela cota da Câmara para a mulher e o filho do parlamentar. ''Parentes eu nunca levei em viagem nenhuma. Eles sempre viajaram com milhagens ou passagens pagas do meu bolso'', disse.
Também aparece no levantamento o deputado federal Max Rosenmann, morto em outubro do ano passado. Em seu nome foram emitidas, em dezembro de 2007, duas passagens de ida e volta a Miami. Já o deputado Moacir Micheletto (PMDB) teria viajado a Frankfurt utilizando a cota de passagens da Câmara. Em seu nome, também foram emitidas passagens de ida e volta a Paris.
Os deputados Airton Roveda (PR), Hermes Parcianello (PMDB) e Luiz Carlos Setim (DEM) autorizaram duas passagens ao exterior cada.
As passagens de Parcianello dizem respeito a uma viagem de um cunhado dele aos Estados Unidos. O deputado alega que as passagens foram emitidas com milhagens e apenas a taxa de embarque teria sido paga com a cota da Câmara. ''Nunca ninguém disse que era ilegal'', afirmou.
O deputado Setim também alegou que não havia impedimento ao procedimento. Ele diz que realizou uma viagem oficial para participar de uma conferência sobre família e religião e foi acompanhado pela esposa.
Os deputados Cezar Silvestri, Airton Roveda, Hidekazu Takayama, Moacir Micheletto e Odílio Balbinotti não foram localizados pela reportagem para comentar o caso.
Quase metade
Segundo o levantamento feito pelo site Congresso em Foco, mais da metade dos 513 deputados usaram a cota da passagem aérea paga pela Câmara em viagens ao exterior. De acordo com o levantamento, 261 deputados realizaram 1.885 voos internacionais entre janeiro de 2007 e outubro de 2008.
O levantamento aponta ainda que as viagens internacionais pagas pela Câmara custaram R$ 4,765 milhões: R$ 3,021 milhões referentes aos bilhetes emitidos e R$ 1,744 milhão de taxas de embarque.
O problema, de acordo com o levantamento do site Congresso em Foco, atinge parlamentares de praticamente todas as legendas - de governo e de oposição. (Com Folhapress)

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