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. | Foto: Folha Arte

A divulgação de conversas privadas do Ministro da Justiça, Sérgio Moro, com os procuradores da Operação Lava Jato, pelo site Intercecpt Brasil, tomou conta do noticiário político desde a noite deste domingo (9). A publicação mostra o então magistrado da Justiça Federal e o procuradores do MPF (Ministério Público Federal) discutindo os rumos da investigação em momentos-chave da política brasileira.

A FOLHAprocurou quatro deputados federais do Paraná na manhã desta segunda-feira (10) para entender a repercussão dentro do Congresso Nacional das conversas reveladas pelo aplicativos de mensagens Telegram e supostamente obtidas por um hacker.

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. | Foto: Luís Macedo - Câmara dos Deputados

Ênio Verri (PT)

O deputado com base política em Maringá diz que as conversas entre Moro e procuradores do Ministério Público Federal, principalmente Dallagnol, é a comprovação de denúncias de “um judiciário politizado, que defendia um projeto político contrário ao do PT”. “Tudo aquilo que nós, do PT, denunciávamos, de que havia um conluio muito claro comandado pelo Moro e Dallagnol, com os documentos do Intercept, ficam evidenciados”, diz o parlamentar.

Para o petista, os trechos que demonstram as combinações para evitar a entrevista do ex-presidente Lula à colunista da Folha de S. Paulo Mônica Bergamo, no período eleitoral, são “um crime contra a Constituição Federal”. A entrevista foi autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e, para os interlocutores envolvidos com a Lava Jato, segundo o Intercept, seria um perigo porque poderia “ajudar a eleger o [Fernando] Haddad”.

Uma das sugestões foi marcar a entrevista para depois do período eleitoral; outra, marcar uma coletiva, que poderia até levar a justificativas para cancelamento. No fim, o mesmo STF atendeu a pedido do Partido Novo e vetou a entrevista – o fato foi comemorado pelos procuradores.

Verri também considera que os vazamentos comprovam que Moro agiu para eleger Jair Bolsonaro (PSL) presidente do Brasil, em troca de uma vaga no STF – no dia 12 de maio, a imprensa publicava declaração do presidente sobre a promessa ao ex-juiz federal, que negou o acordo. No início de junho, Bolsonaro sugere buscar um nome de perfil religioso.

Para o deputado, o desgaste de Moro com as revelações das conversas não apenas prejudicou sua nomeação como também pode derrubá-lo do cargo que ocupa atualmente. “O Ministro da Justiça tem a função de dialogar com o STF. O Supremo não vai conversar com o Moro depois de tudo isso. O governo [federal] precisa escolher entre a capacidade de sobreviver ou manter o Moro. Ele [Bolsonaro] não tem escolha neste momento, mas acredito que, num curto prazo, o ministro peça exoneração com a desculpa de preparar sua defesa”, opina.

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. | Foto: Vinícius Loures - Câmara dos Deputados

Filipe Barros (PSL)

Principal apoiador de Jair Bolsonaro em Londrina e região, Filipe Barros questionou em seu Twitter a obtenção das conversas privadas de Moro, Dallagnol e outros procuradores da Lava Jato. “Uma coincidência gigantesca os celulares de Moro e do Desembargador Relator da Lava Jato serem invadidos por hackers e, logo em seguida, o site de esquerda "The Intercept" divulgar supostas mensagens de membros da força-tarefa. Eu não costumo acreditar em coincidências”, escreveu o deputado.

Para o deputado, que é formado em Direito pela UEL (Universidade Estadual de Londrina), conversas tanto de promotores quanto de advogados com juízes acerca de processos são normais e “republicanas, até certo ponto” e, nas conversas divulgadas, Barros diz não ter visto nenhuma atitude antirrepublicana por parte do então juiz federal. “Muito pelo contrário, fica claro que houve divergências entre o Moro e a atuação dos procuradores, muitas vezes, até questionando a conduta do MPF”, ressaltou em entrevista à FOLHA.

Barros vê a divulgação das conversas como “uma nítida tentativa de enfraquecimento” de Sérgio Moro e da Operação Lava Jato. “Não há como ignorarmos o maior caso de combate à corrupção do mundo, tentando tirar o crédito da Lava Jato através dos procuradores e do Sérgio Moro”, defende.

Mesmo em trechos em que há conversas sobre atos que poderiam interferir nas eleições de 2018, como as tratativas para evitar a entrevista de Lula antes do segundo turno, Barros é categórico: “Fizeram isso em estrito cumprimento da lei, que não concedia ao Lula, condenado em segunda instância, o direito de disputar as eleições”, diz o parlamentar, recordando que denunciou material de campanha petista com a imagem do ex-presidente. “Quem estava burlando a lei naquele momento era justamente o Lula, o [Fernando] Haddad e o PT.”

Barros também acredita que a divulgação não atrapalhe a permanência de Moro à frente do Ministério da Justiça, tampouco uma possível indicação para o STF. Para ele, as conversas são utilizadas pela oposição para fazer sensacionalismo e polêmica onde não existem. “Criou-se uma falsa ideia de que a Lava Jato teria nitidamente a percepção criminal dos políticos cujos partidos são de esquerdas, o que é falso. Basta checar para constatar que sequer o PT é o que mais tem políticos no rol de acusados.”

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. | Foto: Cleia Viana - Câmara dos Deputados

Ricardo Barros (PP)

Líder do centrão na Câmara Federal, Ricardo Barros vê nas conversas divulgadas pelo Intercept excessos por parte dos envolvidos nas mensagens, o que justifica a aprovação de projeto de lei que inibe abuso de autoridade. Procurado na manhã desta segunda-feira (10), Barros disse que não poderia atender a reportagem porque estava em reunião com agricultores na região Oeste do Paraná, mas disse que suas considerações já haviam sido publicadas no Twitter.

Na rede de microblogs, Barros publicou que o vazamento é “a operação lava-jato (sic) provando seu próprio veneno”. “Intercept nos lembrando que garantias individuais cravadas em nossa constituição devem ser respeitadas, e que a lei de abuso de autoridade precisa ser votada já”, continuou.

Em outra postagem, o ex-ministro da Saúde voltou a defender a aprovação do projeto de lei. “Esperamos a defesa intransigente dos direitos individuais que a constituição nos garante. Ninguém está acima de ninguém. Os fins não justificam os meios”, tuitou.

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. | Foto: Michel Jesus - Câmara dos Deputados

Gleisi Hoffmann (PT)

Para a deputada federal e presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, as conversas divulgadas pelo site corroboram a versão “um projeto de politização do Judiciário para atingir o PT e a candidatura de Lula”. “O que vimos das conversas entre os procuradores [da República] e da posição do Moro, que devia ser isento, é muito grave, porque dá uma carga diferente ao processo”, diz

Ela também considera que a conduta explicitada pelas conversas vazadas maculam o histórico do ex-juiz federal e sua permanência no Ministério da Justiça. “A reportagem traz o envolvimento dele num processo em que era o juiz e teve uma atuação política e a nomeação dele [como ministro] só corrobora essa versão”, afirma a deputada, para quem tanto Moro quanto Dallagnol devem ser afastados de suas funções até o fim de uma investigação que traga à tona o que ocorreu no decorrer da Operação Lava Jato.

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