Deputados do PFL podem
‘‘rachar’’ com Lerner
José Fernando da Silva
A bancada de deputados federais do PFL do Paraná se reúne num almoço nesta segunda-feira com o presidente da Assembléia Legislativa, deputado estadual Aníbal Khury (PFL). Os deputados federais vão comunicar a Aníbal o descontentamento da bancada com os rumos das negociações políticas para a reeleição do governador Jaime Lerner. Eles julgam que o PFL está perdendo espaço para outros partidos, como o PPB, e ameaçam apresentar chapa própria na convenção estadual do partido, que deve ocorrer em junho, desprezando qualquer acordo prévio que determine candidaturas para governador, senador ou deputados.
Segundo o deputado federal Paulo Cordeiro (PFL), o partido é de congressistas e tem metas para serem cumpridas. ‘‘Temos que eleger dez deputados federais, 20 estaduais e um senador’’, afirma Cordeiro. Para ele, a bancada está tendo dificuldades para conversar com o governo, por falta de interlocutores que realmente decidam. ‘‘Chega de Luas Pretas que cancelam reuniões importantes com o governador’’, disse Cordeiro, referindo-se a uma reunião agendada semana passada entre o governador e a bancada na casa do deputado federal Werner Wanderer (PFL). De acordo com o secretário-chefe da Casa Civil, Cândido Martins de Oliveira, o descontentamento da bancada não passa de uma reação de ‘‘pescadores de águas turvas’’, contrariados em seus interesses pessoais.
‘‘Não vamos aceitar prato feito’’, afirma Cordeiro. Ele defende uma maior discussão entre governo e partido para definir o nome dos candidatos em todos os níveis. ‘‘Caso o governo apresente uma chapa pronta nós vamos apresentar a nossa. Ou a mesa é redonda ou viramos o jogo’’, ameaça Cordeiro.
As farpas de Paulo Cordeiro têm um endereço certo: a Casa Civil do governo do Paraná. Ele reclama da ‘‘incapacidade’’ de Cândido Martins de entender o valor e a importância de um deputado federal nas discussões políticas do estado. ‘‘A Casa Civil não retorna telefonemas nem depois de 20 dias’’, diz Cordeiro.
Mudanças A sugestão da bancada federal do PFL para contornar o problema seria a mudança de interlocutor do governo, no caso Cândido Martins de Oliveira. Para assumir o lugar do chefe da Casa Civil, a bancada indicou o ex-prefeito de Curitiba, Saul Raiz, que será o coordenador da campanha de Jaime Lerner. ‘‘Eles só querem isso porque sabem que eu não quero’’, afirma Saul Raiz. ‘‘Nós já temos para isso uma pessoa de extrema competência na Casa Civil.’
Além da revolta da bancada federal na Câmara, Lerner vai enfrentar um outro motim na próxima semana. Os deputados estaduais da base governista também pressionam o governo para um maior diálogo. O atrito entre o presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury, e o presidente do Banco do Estado do Paraná (Banestado), Manoel Garcia Cid, também pode contribuir para adiar o fechamento das composições de partidos em torno da candidatura de Lerner.
Requião Apenas uma chapa foi registrada para disputar a convenção estadual do PMDB, marcada para o próximo dia 25, em Curitiba. A chapa denominada ‘‘Governador Roberto Requião’’ encerra um período de divisões internas do PMDB paranaense e prepara o partido para as eleições deste ano.
Segundo o vice-presidente do partido, Milton Buabssi, são esperados 800 convencionais para a homologação da chapa que tem como candidato único a presidente o senador Roberto Requião, pré-candidato do partido ao governo do Paraná. Buabssi disse que o PMDB passa agora a conversar com outros partidos para reunir quem está na oposição ao governador Jaime Lerner.
Nesta segunda-feira, Buabssi participa de uma reunião, em Curitiba, junto com o senador Roberto Requião, com o pré-candidato do PT, deputado federal Nedson Micheleti e a cúpula petista. Nesta reunião, pode ser firmado o acordo para a futura coligação PMDB/PT.

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