Curitiba - A indicação de Luiz Inácio Lula da Silva para a chefia da Casa Civil, confirmada ontem pela presidente Dilma Rousseff (PT), repercutiu também na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, onde a base aliada ao governador Beto Richa (PSDB) dispõe de ampla maioria. Três dos cincos deputados estaduais do DEM, Élio Rusch, Pedro Lupion e Missionário Ricardo Arruda, chegaram a entrar com uma ação popular no Tribunal Federal da 4ª Região (TRF4), pedindo a suspensão da nomeação. A legenda fez o mesmo nos outros 25 estados e no Distrito Federal.
Para os parlamentares, o ato possui "desvio de finalidade e frauda a lei", uma vez que teria como foco garantir foro privilegiado ao ex-presidente. "Seria o terceiro mandato dele? Qual o objetivo? É gozar da sociedade brasileira, ignorar os mais de seis milhões que foram para as ruas no último domingo? Temos de lembrar também que o Lula, quando era oposição, quando teve o impeachment do (Fernando) Collor, dizia: ‘o povo elege e o povo tira’. E outra célebre frase dele era: ‘o pobre vai para a cadeia; o rico quando rouba vira ministro’", afirmou Rusch.
O presidente da AL, Ademar Traiano (PSDB), que comanda também o PSDB paranaense, considerou a notícia uma "afronta à população brasileira". "O PT está numa situação falimentar, está na UTI. É a última tentativa para salvar o partido", criticou. Traiano e Rush negaram que a manobra seja parecida com a ocorrida no Paraná em 2013. Naquela ocasião, o governador convidou Ezequias Moreira, pivô do escândalo conhecido como "sogra fantasma", para assumir o cargo de secretário especial de Cerimonial e Relações Internacionais.
Parlamentares petistas e até mesmo o líder do governo Beto na Casa, Luiz Cláudio Romanelli (PSB), contudo, defenderam a decisão de Dilma. "Ela entendeu que estamos vivendo um momento extremamente difícil, em que a própria presidente da República está carecendo de uma coordenação política", afirmou Tadeu Veneri (PT), lembrando que as investigações contra Lula continuam no Supremo Tribunal Federal (STF). "É uma tentativa de buscar um articulador político competente e tirar o governo, obviamente, das cordas. O Lula foi um presidente que conseguiu fazer um grande processo de transformação nesse País. Agora, é uma cartada decisiva, onde se está jogando tudo ou nada. Ou seja, poderá também acelerar o processo de votação do impeachment na Câmara", avaliou Romanelli.

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