Deputados devem visitar assentamentos em Querência
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de junho de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os deputados estaduais que fazem parte da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os conflitos agrários no Paraná deverão fazer uma visita a Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí) nos próximos dias. A data da visita ainda não foi marcada. Os parlamentares querem verificar se as declarações dadas ontem pelos três líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) convocados correspondem à realidade dos assentamentos da região. Os depoentes disseram que os assentamentos são considerados modelo para o País e produziriam com taxa de 95% de permanência de assentados no campo.
As versões apresentadas por José Delfino Becker, Pedro Alves Cabral e Marly Brambila (que coordena a cooperativa agrícola dos assentados) foram convergentes. Delfino contou que é mineiro e veio para o Paraná em 1972. O pai dele era pequeno agricultor e plantava fumo. Em 1976 ele teria entrado para o MST e foi assentado numa fazenda do Grupo Atala, que produz cana de açúcar e teve parte das terras desapropriadas para pagamento de dívida com o Banestado e com o Banco do Brasil. A área de 4,2 mil alqueires possui 327 famílias assentadas atualmente. ''É o menor índice de desistência nos assentamentos'', contou Cabral.
Na área, segundo os depoentes, existiam apenas 800 cabeças de gado. Atualmente, seriam 6 mil. A produção dos sem-terra ainda contabiliza 30 mil litros de leite, 140 sacas de arroz e 30 mil toneladas de mandioca por ano. ''Toda a venda da produção é feita através da cooperativa'', afirmou Marly, que foi convocada outras duas vezes e não compareceu. Ontem, mesmo sem convocação, ela compareceu para depor e foi ouvida pelos parlamentares, depois da autorização do presidente Élio Rusch (PFL).
Os cooperados recebem financiamento do Programa de Financiamento de Agricultores Familiares (Pronaf) do governo federal. Para os próximos meses, os assentados planejam construir uma queijaria e uma fábrica de leite longa vida. Para verificar se não existe qualquer suspeita com relação ao trabalho da cooperativa, os deputados pediram cópias do contrato social e dos balancetes da instituição. ''Temos que saber tudo, sem pré-julgamento'', considerou Rusch.
A CPI ainda não confirmou os nomes dos novos depoentes. A intenção é convocar para a semana que vem o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Marcos Prochet; o superintendente do Incra, Celso Lisboa de Lacerda; e o ex-superintendente (durante o governo Jaime Lerner), João Carlos Araújo.


