Deputados desistem de projeto da mordomia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de março de 2010
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe da Folha 
Curitiba- Os deputados Luiz Nishimori (PSDB) e Francisco Buhrer (PSDB) anunciaram ontem que retiraram as assinaturas do projeto de lei que prevê a cessão de policiais militares para fazer a segurança de ex-governadores. O texto teve análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) adiada ontem porque o relator, o deputado Caíto Quintana, não compareceu à sessão.
Apesar do assunto não ter sido analisado, o projeto rendeu um bate-boca entre o líder do governo, Luiz Claudio Romanelli (PMDB) e o líder da oposição, Ademar Traiano (PSDB). Traiano chamou a iniciativa de ''projeto da mordomia'' e disse que é uma ''imoralidade''. Pelo texto, até quatro policiais militares - escolhidos pelo beneficiário - trabalhariam na segurança do ex-governador. Terão direito ao benefício governadores que tenham exercido a função por mais de três anos. Romanelli rebateu que ''lugar de discurso político é no plenário''.
Enquanto isso, Nishimori e Buhrer retiraram o apoio à iniciativa. ''Já comuniquei a minha decisão ontem à Casa'', informou Buhrer. Nishimori informou que resolveu retirar a assinatura depois que viu que ''o quadro da Polícia Militar (PM) já está enxuto''. ''Não há nenhum problema com o projeto, mas analisando o quadro achamos por bem retirar'', defendeu. Outros onze parlamentares também assinam o texto.
No plenário da Assembleia outros deputados ocuparam a tribuna para criticar a iniciativa. Antônio Belinati (PP) disse que ''quem tem direito a segurança é o povo''. Já Douglas Fabrício (PPS) declarou que se Requião quiser segurança ''que pague do próprio bolso''. ''Ele deve ter acumulado um dinheiro nesses oito anos de governo para cobrir essa despesa'', ironizou.
Stephanes Júnior (PMDB) chamou a proposta de demagógica. ''O Requião foi sempre contra esse tipo de privilégio. Agora ele quer. É um contrasenso''.
Apesar da polêmica, o deputado Alexandre Curi (PMDB) defendeu o projeto. ''Ele já tem o direito a proteção. Isso (o projeto) é só uma regulamentação. Todos os estados estão fazendo isso'', disse. ''Na minha opinião o governador não vai nem solicitar (a proteção)'', completou.
O projeto de lei estipula que todos os ex-governadores terão direito ao benefício pelo período de três anos. No caso de quem foi reeleito, o tempo da cessão poderá ser somado, ou seja, caso o governador Requião solicite a proteção poderá usufruir dela por seis anos. O texto não fala em prorrogação do prazo. Além da cessão de quatro policiais, o texto também prevê que um veículo oficial será colocado à disposição da equipe e todas as despesas com diárias e passagens serão bancadas pela Casa Militar.


