Deputados `demitidos` esvaziam os gabinetes
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quarta-feira, 30 de outubro de 2002
Denise Angelo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba A renovação da Assembléia Legislativa a partir de janeiro será de 44%. Dos atuais 54 deputados, 24 não conseguiram se reeleger nas eleições de 6 de outubro. E, com o final do mandato a vista, uma parte dos parlamentares já começou a esvaziar discretamente seus gabinetes. A equipe da Folha circulou ontem pelos oito andares do prédio da Assembléia. Pelo menos seis gabinetes estavam totalmente vazios, embora com as portas abertas e luzes acesas.
As informações são desencontradas. Nos corredores, os funcionários contam quem são os deputados que já começaram a demitir seus funcionários. Os parlamentares, no entanto, negam quando entrevistados. Entre os citados estão os deputados Luiz Fernandes Litro da Silva (PSDB), Edno Guimarães (PSDB), Ricardo Chab (PMDB), Algaci Túlio (PSDB) e Luiz Carlos Alborghetti (PTB).
Litro foi procurado, mas não foi encontrado no seu gabinete. Os funcionários se mostraram revoltados com o questionamento da reportagem e deram várias versões. Alguns disseram que não falariam sobre o assunto e um outro informou que seus cargos estão sub judice. A pessoa que ocupava o lugar da secretária disse que era amiga do deputado e não sua funcionária. Tantas versões foram substituídas por uma final, dando conta de que o deputado está licenciado por motivos de saúde. Ninguém soube responder, no entanto, o porquê da manutenção do gabinete, já que Litro estaria afastado.
Guimarães disse que vai manter seus seis funcionários até o último dia de mandato. Chab também não foi localizado pela Folha. No seu gabinete informaram que ele está indo pouco à Assembléia e que mudou de telefone celular. Funcionários confirmaram que já houve redução na equipe. Teriam sido cortadas as pessoas que trabalhavam externamente, atendendo a população.
Túlio disse que está discutindo com os funcionários como conduzir o final dos trabalhos. ``Já tirei muitas coisas minhas do gabinete, mas não vou demitir. Se meu gabinete era uma solução para os problemas sociais, não pode agora se transformar num gerador de problemas``, justificou.
Alborghetti também nega as informações que correm pelos corredores. ``Se eu fizer um negócio desses é como se eu desse um tiro na cabeça``, comparou.
O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), disse que os funcionários dos deputados são contratados como cargos de confiança e, portanto, podem ser demitidos a qualquer momento. ``Tem deputado bravo porque foi traído durante a campanha``, salientou o presidente.
Brandão explicou ainda que o dinheiro que seria pago em salário para os funcionários não fica com o deputado, caso ocorra a demissão. ``O deputado nunca recebe o dinheiro. O salário vai direto para a conta do funcionário. Se o deputado demite, esse dinheiro fica na Assembléia.`` Segundo ele, cada deputado tem uma verba de até R$ 12 mil para manutenção do gabinete, pagos mediante comprovação do gasto. O recurso para pagar salários não está incluído nesse valor.


