Deputados defendem entendimento
Curitiba - Os argumentos dos deputados federais para justificar o recesso branco são os mesmos dos senadores. A Câmara dos Deputados vai ter exatamente o mesmo calendário de seis dias de esforço concentrado em agosto e setembro. Os deputados defendem que é justo o recesso branco para fazer campanha com o argumento de que visitar as bases estaduais faz parte do trabalho parlamentar e alguns dizem até que o problema não é trabalhar somente seis dias em dois meses, mas sim a dificuldade de entendimento entre os partios dentro do Congresso, que faz com que a pauta de votações fique emperrada.
''No momento da eleição, onde tem que estar concentrado na busca do voto, é difícil estar em Brasília. Isso acontece no mundo todo e não é diferente aqui'', justificou o deputado federal Eduardo Sciarra (PFL-PR). Para Sciarra, o esforço concentrado acontece justamente para ''tentar votar os projetos dentro de uma semana do mês e assim não paralisar totalmente o Congresso''. ''E eu acho que os deputados, mesmo estando em campanha política nas bases, estão no seu dia-a-dia parlamentar. E o meu gabinete está aberto, atendendo o que for preciso'', completou.
O deputado federal Max Rosemann (PMDB-PR) concorda com Sciarra. Ele garantiu que seu gabinete estará, nestes dois meses, com a mesma quantidade de funcionários trabalhando normalmente. ''Eu vou seguir exatamente o que está estabelecido pela presidência da Casa e pelos partidos: duas convocações por mês. Eu vou estar lá pontualmente'', assegurou. ''E o Congresso não pode se desligar. Se alguém achar que está acontecendo algo sério, pode ir fazer discurso. E tem deputados que não têm palanque e usam a Casa para fazer discurso'', afirmou ao defender as sessões não-deliberativas.
Seis dias de sessões deliberativas poderiam ser suficientes se houvesse entendimento entre as bancadas. A opinião é da deputada federal Clair da Flora Martins (PT-PR). ''Na verdade nós passamos mais de um mês sem votar nada porque não há acordo. E não avançamos porque o presidente Lula envia muitas medidas provisórias que trancam a pauta. Então não é o fato de não irmos que faz o trabalho não avançar. Se há acordo, votamos tudo em três dias'', argumentou. (A.B.)





